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Entrevista
Governo pagou 15 folhas em 2019 contra 10 do anterior, diz Fátima
Para 2020, governadora projetou retomada efetiva das obras do Pró-Transporte
Redação
31/12/2019 | 18:22

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, fez um longo pronunciamento nesta segunda-feira, 30, de prestação de contas de seu primeiro ano à frente da administração para uma plateia lotada de servidores, no auditório da Escola de Governo.

Com a presença de representantes de outros Poderes e órgãos, como o do Tribunal de Justiça, desembargador João Rebouças; do procurador-geral de Justiça, Eudo Rodrigues Leite; do presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Poti Neto; e da Federação da Indústria, Amaro Sales; além de quase todos os secretários de Estado e parlamentares, Fátima falou de improviso sem se esquecer de mencionar um único projeto de seu governo.

Em vários momentos foi aplaudida e, mesmo afônica, falou por cinquenta minutos e não poupou elogios a todos os seus auxiliares. A seguir, o Agora RN organizou um resumo dos principais momentos da fala da governadora.

AGORA RN – Qual o balanço que a senhora faz do primeiro ano de governo?
FÁTIMA BEZERRA – Não é novidade para ninguém que herdamos um governo colapsado do ponto de vista fiscal e financeiro, mas também do ponto de vista administrativo. Isso exigiu medidas extremas, como a contratação de 20 auditores, com a anuência do Tribunal de Contas do Estado, para que pudéssemos reorganizar as contas e atacar os problemas pela raiz.

AGORA RN – E deu certo?
FÁTIMA – Na medida em que conseguimos pagar 15 folhas em um ano, em comparação às 10 pagas no ano passado pela administração anterior, sim. É sinal de que nossos esforços não foram infrutíferos. Poderia ter dado mais certo se não tivesse havido uma frustração das receitas extraordinárias. Só no caso da cessão onerosa do pré-sal, dos R$ 460 milhões esperados, vieram apenas R$ 160 milhões. No total, houve uma frustração de receita da ordem de R$ 600 milhões.

Evento de prestação de contas teve presença de secretários e líderes de outros poderes.

AGORA RN – Mesmo assim, os salários dos servidores foram pagos?
FÁTIMA – Na nossa gestão, sim. Não atrasamos nenhum dia de salário e, no âmbito da gestão anterior, pagamos o mês de outubro de 2017. Se concluirmos em janeiro a operação de venda de royalties, o plano é pagarmos novembro de 2018.

AGORA RN – Quando a senhora assumiu em janeiro e viu a situação, qual foi a primeira decisão que lhe veio à mente?
FÁTIMA – Reduzir ao máximo as despesas que não colocassem em risco os serviços básicos à população. Diárias, passagens, combustível… passamos o facão em tudo isso. Auditamos duramente os programas sociais, como o Transporte Cidadão, e realizamos uma revisão profunda nos contratos terceirizados e em todas as licitações no âmbito dos serviços. Com isso, foi possível gerar uma economia neste ano entre R$ 70 milhões a R$ 90 milhões.

AGORA RN – Como vem sendo o desempenho do programa Nota Potiguar?
FÁTIMA – Já são 220 mil inscritos e uma receita extra para o Estado de R$ 25 milhões. Ainda é pouco, mas, na atual situação, todo dinheiro é bem-vindo. O importante é que se trata de uma bela iniciativa da Secretaria da Tributação, que promete crescer muito no ano que vem. E é particularmente um programa que me agrada muito pelo conteúdo de cidadania contido nele.

AGORA RN – Finalmente, a senhora conseguiu fechar uma negociação com os municípios para a implantação do Proedi. Foi um embate difícil?
FÁTIMA – Difícil, mas necessário e normal na democracia. Antes, estávamos mergulhados num universo sem competitividade no qual, ao invés de incentivo à produção, dávamos isenção financeira, o que explica a perda de tantos empregos e a fuga de investimentos, que poderiam nos beneficiar, para estados vizinhos, que já praticavam há mais tempo uma nova política de atração de investimentos.

AGORA RN – O novo Proedi já acena com novos investimentos no RN?
FÁTIMA – Mais do que isso, atrairá pelo menos 13 novas empresas para o Estado. Entre elas, uma grande multinacional global já prometeu deslocar boa parte de sua estrutural baseada na Paraíba para o Rio Grande do Norte. Isso já projeta um belo crescimento dos empregos, e é por isso que não abrimos mão de nossa estratégia desenvolvimentista – aquela que associa o crescimento econômico ao bem-estar social. Uma não pode ser desassociada da outra.

AGORA RN – Quais são as prioridades para o ano que entra?
FÁTIMA – São muitas. Estamos focando em investir a arrecadação das multas em favor dos motoristas potiguares na restauração das rodovias estaduais. Nos incomoda profundamente que elas se pareçam com aquelas tábuas de pirulitos, cheias de buracos. É uma ação que está no âmbito do Governo Cidadão. Até o ano passado se comemorava a construção de rodovias, quando nem as desapropriações ao longo do trajeto estavam resolvidas. Não queremos isso no nosso governo. Só vamos comemorar quando for para comemorar.

AGORA RN – Alguma novidade neste momento?
FÁTIMA – Queremos em breve soltar a licitação da Estrada da Produção em São Gonçalo do Amarante e a Estrada do Melão em Carnaubais. São pleitos antigos que queremos resolver de uma vez, já sabendo de tudo que nisso envolve.

Na saúde, Fátima prometeu programa para diminuir fila de espera por cirurgias.

AGORA RN – Por falar em promessas antigas, a senhora tem alguma novidade sobre o Pró-Transporte?
FÁTIMA – Eu ainda era deputada federal e lidava com esse projeto, que já tem mais de 13 anos. Lembro que o Rio Grande do Norte foi anunciado à época como o primeiro estado do Brasil a receber o Pró-Transporte. Bem… Em janeiro, iniciaremos a primeira e a segunda etapas do programa na avenida Moema Tinoco; e, em 2022, ligaremos o trecho do Viaduto das Fronteiras ao Gancho do Igapó na BR-406. É importante que as pessoas entendam que essa obra é comparável a uma avenida Roberto Freire, só que na Zona Norte, tamanha sua importância. E o meu governo vai terminá-la.

AGORA RN – Alguma boa notícia para a saúde?
FÁTIMA – Pretendemos implementar um programa para realizar 10 mil cirurgias em atraso, em 2020. Não é possível conviver com uma fila de espera de dois a três anos em cirurgias eletivas. Com o Hospital da Polícia, já incorporada ao SUS, a intenção é abrir mais UTIs. E temos emendas parlamentares de nossos senadores Styvenson Valentim (Podemos), Jean Paul Prates (PT) e Zenaide Maia (Pros) para isso.

AGORA RN – A senhora fala sempre da importância de uma agenda desenvolvimentista. Isso se contrapõe à agenda liberal do governo federal?
FÁTIMA – Não, até porque trabalhamos sob muitos aspectos em linha com o governo federal. Mas, ao mesmo tempo, desenvolvemos negociações bilaterais importantes frutos da recente missão dos governadores nordestinos à Europa e da minha esticada pessoal para a China. Muita coisa deve surgir como consequência dessa missão, como, por exemplo, junto à Agência Francesa de Financiamento, disposta a nos abrir um crédito de 40 milhões de euros. Estamos abertos ao mundo e termos muito oferecer, entre elas, energias renováveis e um sem número de outros negócios.

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