BUSCAR
BUSCAR
Cidadania

Em Natal, inclusão de deficientes visuais ainda é considerada desafio

Capital está em 14º lugar em uma avaliação de mobilidade, de acordo com a campanha “Calçadas do Brasil 2019”
Pedro Trindade
17/12/2019 | 18:06

No seu dia a dia, o presidente da Sociedade dos Cegos do Rio Grande do Norte (SOCERN), Ronaldo Tavares, diz enfrentar muitos problemas para exercer o seu direito de locomoção em Natal.

Com deficiência visual, Ronaldo não encontra na cidade uma estrutura adequada que o ajude a exercer o direito de ir e vir livremente. “Não é raro vivenciar a obstrução do passeio público. Muitas vezes temos bancas de lojas no meio do caminho, orelhão, carros estacionados na calçada, além da falta de padrão delas”, afirma.

Em Natal, inclusão de deficientes visuais ainda é considerada desafio - Agora RN

A Norma Técnica 9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) dispõe sobre políticas públicas de acessibilidade, como arquiteturas com rampas, uso de corrimãos e pisos diferenciados, a exemplo do piso tátil.

A reivindicação do presidente da SOCERN é que as normas e leis sejam aplicadas. “Queremos que os gestores nos trate como políticas públicas, e não como eleitores. É preciso que avance o debate da acessibilidade para se ter uma cidade inclusiva, com justiça social e projetos mais humanizados”, enfatiza.

Ainda de acordo com Ronaldo Tavares, Natal possui apenas cinco sinais de trânsito com sinalização sonora e dez paradas com identificação em braile. Por isso, ele julga necessário dar condições mais igualitárias através de investimentos no método braile, desde a fase escolar até a estrutura de paradas, calçadas e sinais de trânsito.

“Não basta matricular, tem que ter investimentos para proporcionar a acessibilidade plena. Investir no braile, que é nosso único método de leitura. Deus foi tão bom conosco, que nos deu o poder de tocar as palavras. O braile é nossa redenção. Nossa porta de passagem para cidadania”, comenta.

Além da democratização do braile, Ronaldo Tavares acredita que é necessário investir em mais campanhas de conscientização contra a cegueira, como o Abril Marrom, visto que 882 mil potiguares possuem alguma deficiência, totalizando 27,8% da população estadual, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Destes, 6.929 pessoas tem deficiência visual.

Em setembro deste ano, Natal teve avaliação 5,78 em relação a qualidade de suas calçadas, pouco a mais da média nacional de 5,71, numa escala de 0 a 10, onde o mínimo aceitável seria a nota 8, de acordo com o relatório final da campanha “Calçadas do Brasil 2019”, que utilizou o Índice de Caminhabilidade (iCam), uma ferramenta para avaliar as vias do Rio de Janeiro, a qual conta com 21 indicadores.