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Opinião
Editorial: “Refundar” ou afundar
Redação
24/01/2020 | 00:05

A ideia de combate a corrupção como um fim em si mesmo, em que orientações de ordem moral ultrapassam os limites do ordenamento jurídico e do devido processo legal, joga o País numa zona de turbulência e insegurança institucionais sem precedentes desde a redemocratização.

Absurdos ditos sem o menor constrangimento, sugerindo a improvável (para não dizer impossível) “refundação da República”, são bobagens tão magníficas que sua capacidade de produzir temor nos aproxima das ditaduras mais abomináveis.

Pior: acena como alternativa final o populismo, seja de direita ou de esquerda, o que certamente seria um retrocesso muito mais danoso a esta altura do que acontece no mundo.

Desde que os militares assumiram o controle do País, em 1964, e permaneceram por 20 anos, houve avanços inequívocos no País. Mas se deram também na proporção dos atrasos inerentes ao autoritarismo.

O sistema de telecomunicações no País, por exemplo, deu um salto gigantesco durante os anos de chumbo, mas o controle centralizado nas mãos de grupos dentro das Forças Armadas não foi capaz de dirigir a Nação em direção ao livre mercado e à educação de base, embora as escolas públicas da época fossem infinitamente superiores às de hoje.

A repressão do Estado policial, que produziu a edição do Ato Institucional 5, fechando o Congresso e cassando muitos direitos civis, atrasou o País em décadas, embora dentro do arcabouço de uma ditadura infinitamente mais branda na comparação com as do Chile e da Argentina.

Depois de quase 14 anos do Partido dos Trabalhadores no poder, durante os quais o Estado foi panaceia para tudo, parece inevitável agora supor que é preciso mudar sob bases mais alinhadas aos tempos modernos e suas complexas conjunturas.

Reforma tributária, reforma política, enxugamento do Estado, abertura de mercado, tudo que faz parte de uma agenda liberal na economia, porém, só dará resultado se os novos governos seguirem dentro de uma linha de respeito às instituições da República e não na base do confronto ao que representam.

Com um déficit educacional notável, baixíssima produtividade e uma infraestrutura deficiente, que resulta em custos extraordinários para investidores (um resumo do medíocre PIB brasileiro), querer “refundar” a República seria realmente o meio mais fácil de afundá-la.

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