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Opinião
Editorial: Fátima e os limites da pressão
Redação
28/01/2020 | 00:05

A despeito de toda a controverteria instalada, se governo Fátima Bezerra não fizer a reforma da previdência, assumirá riscos claros de arruinar o sistema previdenciário estadual.

Hoje, o RN já tem mais inativos do que servidores ativos (54%), e essa é uma conta para a qual também não se deve fechar os olhos.

A cultura brasileira de gasto e investimento públicos passa por mudanças estruturais.

Reformar a previdência já era percebida como fundamental nos governos FHC, Lula e Dilma e, a despeito disso, 24 anos se foram sem que nada significativo fosse feito.

Agora, a conta chegou e, com ela, uma interminável fila de zeros.

É claro que uma gestão como a de Fátima Bezerra, por princípio, teria mais interesse que uma reforma fiscal antecedesse à previdenciária.

Como isso não foi possível por razões notórias, ela enfrenta agora a ira de ex-simpatizantes que usam com prodigalidade a palavra “traição”.

Se os críticos de Fátima usam os antecedentes políticos dela para confrontá-la e pressioná-la, acertaram na estratégia, mas erraram de longe no objetivo e na razoabilidade.

Muito por conta dessa pressão e por estar inconformada em penalizar a grande maioria dos servidores estaduais, a governadora transferiu apara seu secretariado a complexa incumbência de modular os efeitos da reforma previdenciária estadual, via progressão de alíquotas.

De sorte que insistir na tese da “traição” é obviamente um despropósito, tendo em vista a obrigatoriedade imposta pelo Governo Federal para que o Estado conclua sua reforma da previdência até o próximo dia 31 de julho, daqui a cinco meses, sob pena de sanções pesadíssimas por parte da União.

A conclusão é que não se luta contra a realidade antes de tentar transformá-la. O fato de o governo ter instalado uma mesa de negociação é, antes de qualquer coisa, uma sinalização de respeito para com os servidores.

A diferença abissal entre a maioria do funcionalismo em relação à elite dos servidores instalados nos Poderes, que tanto mal-estar causa, é certamente algo que precisa ser corrigido e, pela complexidade da situação, não é do dia para a noite que isso acontecerá.

Se o funcionalismo passa por dificuldades reconhecidas, o que dizer da esmagadora maioria da população brasileira, que depende dos serviços públicos?

É preciso reconhecer que o Brasil atravessa um momento decisivo e que o Rio Grande do Norte não é uma ilha de prosperidade.

Muito pelo contrário.

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