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Opinião
Editorial: Corrupção não é tudo
Redação
13/12/2019 | 06:00

A corrupção é universal, faz parte do ser humano e não vai acabar. Está presente nas grandes quantias, mas nas pequenas também. Em situações grandiloquentes e nas insignificantes. Motivada por ganância ou por sobrevivência.

Não importa. Deve ser combatida pelos instrumentos constitucionais, dentro do devido processo legal; só não deve ser tomada como uma religião ou profissão de fé. Porque, se assim for, elegerá hipócritas para se tornarem signatários dessa luta.

Infelizmente, é o que vivemos no Brasil. Os irmãos Joesley e Wesley Batista, segundo relatos deles próprios, foram beneficiados com dinheiro público, corromperam muita gente para garantir seus privilégios, mas transformaram a Friboi na maior processadora de proteína animal do mundo.

Devem eles pagar por seus crimes, mas não a empresa que emprega milhares de trabalhadores, pois um erro não justifica outro.

Essa presunção não impediu que, no seu tempo, Rodrigo Janot, na qualidade de procurador-geral da República, isentasse a dupla de tudo só para obter uma gravação comprometedora contra o ex-presidente Michel Temer – que, no final, não era tão comprometedora assim.

Isso, mesmo Janot tendo entre os seus fiéis colaboradores um certo procurador Marcelo Miller, que atuava comprovadamente em favor da J&F durante o processo de assinatura do acordo de delação.

Compreendem por que a flamula da anticorrupção não deve ser um fim em si mesmo?

Aliás, a anticorrupção nem deveria ser uma bandeira – e sim um princípio republicano defendido por instituições sólidas que se movessem segundo a lei e a Constituição, e não a partir do clamor público que muitas vezes lincha, pois não tem compromissos com o devido processo legal e sim o devido processo biliar.

A Operação Carne Fraca, de triste lembrança, colocou a proteína animal produzida no Brasil em sérias dificuldades junto ao mercado internacional, graças ao esforço de certas autoridades em chamar a atenção para seu trabalho paladino.

Definitivamente, Judiciário legislando e o exercício da política sendo substituída pelo jacobinismo de plantão não devem pautar a vida brasileira, resumindo tudo a crise em cima de crise.

O Brasil tem muitos problemas além da corrupção: o crime organizado, a violência e, dentro dela, o feminicídio, que nos fere enquanto civilização. E, principalmente, a desigualdade social.

Não precisamos de paladinos bem remunerados para nos defender. Precisamos de instituições que façam o seu trabalho, de preferência, operosa e discretamente, mostrando mais resultado de qualidade e menos publicidade.

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