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Opinião
Editorial Agora RN: A chance de expandir o centro
Desde que o regime militar entregou os pontos, é a primeira vez que temos uma figura política com essas feições.
Redação
27/11/2019 | 04:48

A esta altura, já é possível afirmar, com absoluta certeza, que não existe nada mais à direita no Brasil do que Jair Messias Bolsonaro.

Desde que o regime militar entregou os pontos, com a cordialidade de seu bipartidarismo junto, é a primeira vez que temos uma figura política com essas feições.

E a pergunta é: o Brasil está acostumado com esse nível de polarização política?

Isso significa que, pela primeira vez na história pós-regime militar, a extrema direita governa o Brasil e que outras expressões do chamado campo político devem se arranjar, buscando apoios mais ao centro nas próximas eleições para se sobrepor ao extremo vigente.

As candidaturas próprias nos pleitos municipais vão refletir essa disposição nos partidos políticos que fazem oposição ao governo.

E, mais especificamente, teremos um centro expandido – se é que isto é possível – pelas defecções bolsonaristas à disposição para alianças, desde que se entenda que, sem elas (as alianças), não será possível avançar fora de uma perspectiva plebiscitária – extrema direita versus extrema esquerda.

Com a disposição cada vez mais evidente de Bolsonaro de continuar exatamente como está, ou seja, na extrema direita do campo político, resta à esquerda mudar. Ou seja, descolar-se de sua liderança maior.
Mais do que os extremos, sabemos que o centro é volátil. Parte dele já se desgrudou do bolsonarismo e do lulismo “raiz” e migrou para o que popularmente ficou conhecido como “Nutella”.

Saber conversar com o centro, superando até mesmo as lideranças originais, passou a ser o ativo mais importante da política. E nem Bolsonaro e nem Lula, com o seu novo discurso pós-carcere, estão dispostos a fazer. (Estranho, porque Lula, em seus dois governos, sempre interagiu muitíssimo bem com o centro).

Estamos, portanto, diante de um espelho, onde bolsonarismo mira o reflexo do lulismo, e vice-versa.

A ideia de que Bolsonaro é em si a síntese de um projeto familiar e não partidário daria às esquerdas um argumento e tanto atrair amplos setores da sociedade, entre eles, até a direita mais liberal, enjoada do bolsonarismo.
Só que aí não seria esquerda brasileira.

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