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Saúde
“É preciso cuidar da mente para evitar danos posteriores à pandemia”, orienta psicóloga
Profissional dá dicas de como identificar a necessidade de cuidados com a saúde mental
Redação
24/04/2020 | 16:02

As consequências da pandemia do novo coronavírus já têm se concretizado no sistema de saúde, na economia e na rotina da maioria das pessoas nos países afetados. Outro impacto representativo é sobre a saúde mental dos cidadãos. São preocupações das mais diversas com o futuro, desemprego, o bombardeio de notícias e o próprio isolamento social podem contribuir para gerar ou aumentar problemas psicológicos e mentais.

Muitos fatores podem culminar em transtornos como depressão, ansiedade, insegurança e abalo nas relações sociais, mas, de acordo com a psicóloga do Grupo Vila, Mariana Simonetti, cada pessoa tem sentimentos diferentes em relação ao momento. “Existe uma singularidade de sentimentos em cada um, logo não há uma receita pronta para ficar tudo bem. É importante saber perceber os próprios sentimentos e os dos outros, para identificar quando é necessário procurar ajuda psicológica”, explica.

Segundo Mariana, o vínculo afetivo é importante para que haja o sentimento de acolhimento, mesmo com o distanciamento físico. “Precisamos recriar nossas relações, mesmo sem poder visitar, abraçar, beijar e estar perto fisicamente. É necessário usar as ferramentas que temos em redes sociais para nos aproximarmos, demonstrar carinho e reforçar que o distanciamento é uma atitude de cuidado, tanto consigo quanto com o outro. É um ato de amor”, diz a profissional.

Ainda de acordo com a psicóloga, muitas pessoas enxergam a preocupação com a saúde mental como tabu, mas é preciso entender que precisar de ajuda não é sinal de fraqueza. “O medo e a angústia, por exemplo, são sentimentos normais nessa crise; já a tristeza, desmotivação e não ter vontade de viver são sinais de alerta e precisam ser identificados sem o sentimento de imperfeição e fraqueza. É preciso que nos cuidemos agora, para não termos danos graves posteriores à pandemia”, alerta Mariana Simonetti.

Durante a pandemia e com o isolamento social decretado, diversos psicólogos e clínicas têm se disponibilizado para prestar atendimentos virtuais, por meio de mensagens e ligações. O Centro de Valorização da Vida (CVV), que faz trabalhos de prevenção ao suicídio por telefone ou e-mail, é um desses serviços e está disponível 24h pelo número 188.

Chuva de informações precisa ser dosada

Programas de entretenimento televisivo foram suspensos, jornais ganharam mais tempo na programação e notícias sobre o avanço da Covid-19 são disparadas 24h por dia. Esse fator, conforme explica Mariana, pode provocar pensamentos frequentes relacionados a morte e medo. Por isso, é importante se ocupar com outros afazeres e dosar o acesso a informações.

“Obviamente, a informação é essencial para sabermos como nos proteger, sabemos a realidade, mas às vezes nos causa sentimentos ruins, medos e inseguranças. Podemos, por exemplo, definir um horário para checar as notícias, procurando fontes confiáveis, isso porque as fake news também mexem com o psicológico, sejam elas boas ou ruins”, conta Simonetti.

Já para as crianças e idosos, grupos vulneráveis à doença, é necessário ser transparente sobre a situação sem estar sempre atualizando os números, relatando casos e óbitos, como explica a profissional.

“As crianças muitas vezes correm para nos abraçar, os idosos sentem falta das visitas e carinhos, por isso precisam entender que o distanciamento é importante. Precisamos dizer a eles o que está acontecendo para não lhes fazer pensar que não os abraçamos porque não gostamos mais deles. É preciso informar, conversar com essas pessoas, mas sem gerar pânico ou ficar fazendo atualizações diárias sobre a doença”, finaliza Mariana

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