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Conscientização
Diversidade de rituais é exemplo de respeito à liberdade religiosa em cemitério de Parnamirim
Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é comemorado nesta terça-feira, 21
Redação
21/01/2020 | 18:10

Respeitar a fé do outro e o direito à celebração de seus ritos é a base de uma convivência humana harmoniosa. No Morada da Paz, cemitério localizado em Parnamirim, a diversidade de rituais de passagem já é exemplo de respeito à liberdade religiosa.

Em 21 de janeiro de 2000, a candomblecista e Iyalorixá Mãe Gilda não resistiu a um infarto – causado por um ataque preconceituoso – e faleceu. Para recordar esse fato triste e evitar que outros casos como esse aconteçam, foi criado por lei, em 2007, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

Essa data, além de relembrar o ocorrido em Salvador, busca promover os preceitos do Dia Mundial da Religião; celebrado também nesse dia. São eles: promover o diálogo e o respeito entre todas as religiões do mundo que pregam a bondade e o amor ao próximo. O Dia Mundial da Religião, por sua vez, foi instituído em dezembro de 1949, durante a Assembleia Religiosa Nacional dos Baha’is – religião monoteísta -, na Pérsia. Desde então, o trabalho de conscientização permanece.

Os rituais de passagem são tradições importantes e singulares em cada um dos movimentos religiosos existentes. Dentre as religiões cristãs mais comuns, como catolicismo e protestantismo, são recorrentes as missas e cultos de despedida aos que partem. Apesar da predominância desses rituais, muitos outros existem e devem ser respeitados por todos.

No Morada da Paz já aconteceram celebrações do tipo de religiões como umbanda e budismo, por exemplo. Para atender a essas demandas não tão usuais, é necessário ter como base o respeito a todas as crenças.

A líder de atendimento e cerimonial do Morada da Paz Emaús, Gracy Rocha, conta que as religiões predominantes no Brasil se manifestam na mesma proporção também entre os clientes. Ainda assim, devotos de outras religiosidades não deixam de receber um bom acolhimento e acompanhamento.

“Nós recebemos mais evangélicos e católicos, mas já tivemos cerimônias de umbanda, budismo, espiritismo e maçonaria, que são conduzidas muitas vezes pelos próprios parentes ou amigos próximos ao falecido. Os cerimonialistas ficam à disposição da família, recebendo e atendendo muito bem a todos os tipos de pedidos”, conta Gracy.

Na Umbanda, por exemplo, o ritual se apega intensamente à vida encarnada para que se possa garantir um bom lugar nas esferas espirituais. Uma das práticas do funerário umbandista é a purificação do corpo físico e do espírito com incenso e o canto a Obaluayê, orixá das passagens que é louvado para que receba e encaminhe o desencarnado.

Já para o espiritismo, a dor sentida durante o luto é grande pelo fato de o conceito de imortalidade ainda não ser aceito pela maioria das pessoas. A religião acredita que o espírito pode reencarnar várias vezes em diversos planos espirituais. “É natural a saudade, pela ausência da presença física de quem partiu, no rumo da pátria espiritual. Mas deve-se levar em conta que não é um adeus, mas um até breve. O momento da separação deve ser entendido como um partir antes, mas que os reencontros sempre acontecerão, seja durante os períodos de emancipação da alma ou durante o sono físico, em forma de sonhos”, explica a professora e praticante da religião Maria Clara Câmara.

Os espíritas velam seus mortos da mesma maneira que os demais religiosos. Durante o velório, fazem preces e procuram manter o equilíbrio porque o espírito do desencarnado pode continuar por perto durante um período. Os espíritas não usam velas nem flores nas cerimônias fúnebres e o corpo pode ser enterrado ou cremado.

“Para nós a espiritualidade do cliente é um instrumento de trabalho, deixamos nossas convicções pessoais um pouco de lado para que o que a família acredita seja executado, principalmente em um momento tão delicado e importante como o momento da despedida de um ente querido”, finaliza a cerimonialista do Morada da Paz, Gracy Rocha.

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