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Saúde
Regulamentação do uso medicinal da maconha está atrasada, diz neurocientista
Na última segunda-feira, o uso medicinal da cannabis foi tema de audiência pública, na Assembleia Legislativa, proposta pela deputada Isolda Dantas (PT)
Marcelo Hollanda
05/12/2019 | 08:33

A regulamentação do uso de medicamentos à base de maconha no Brasil pode até ter adeptos no Congresso, que atuaram nos bastidores para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovasse esta semana o uso do remédio à base de cannabis importado no País. Mas daí a aumentar o acesso de pessoas necessitadas a uma linha decente de fórmulas, permitindo o cultivo controlado e barateando drasticamente a produção, vai uma grande distância. É o que explica o neurocientista Sidarta Gomes Ribeiro, vice-diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

“Há hoje três posições sobre o assunto: uma do Ministro Osmar Terra, da Cidadania, que definitivamente demoniza o tema; a da Anvisa, que liberou na última terça-feira, por três anos, a venda de medicamentos importados, que são caros e, finalmente, a posição mais racional, que vê a cannabis como uma commoditie valiosa e tira proveito econômico e social dela”, afirma o neurocientista.

Commodities – mercadorias, em inglês – são produtos que funcionam como matéria-prima, produzidos em escala e que podem ser estocados sem perda de qualidade, como petróleo, suco de laranja congelado, boi gordo, café, soja e ouro.

Na última segunda-feira, o uso medicinal da cannabis foi tema de audiência pública, na Assembleia Legislativa, proposta pela deputada Isolda Dantas (PT) para detalhar e debater a utilização de cannabinoides como recurso terapêutico em tratamentos medicinais.

Para o professor Sidarta, entre a posição do Ministro Osmar Terra de manter uma produção sintética da cannabis medicinal e da Anvisa, que considera o produto bom, mas perigoso a ponto de limitar o THC, o princípio ativo mais potente da planta em 0,2%, “quem sai perdendo são os milhares de pessoas que comprovadamente poderiam se beneficiar do acesso a tratamentos hoje proibitivos”.

Um medicamento já liberado pela Anvisa para a venda nas farmácias, o Mevatyl, indicado apenas para quem sofre de esclerose múltipla, custa por volta de R$ 2.500,00 para uso durante 30 dias. Isso, porque a maioria dos pacientes com prescrição médica de produto à base de cannabis tem de importar os medicamentos.

Hoje, segundo Felipe Farias, presidente do Instituto Reconstruir Cannabis de Natal, há no Brasil 52 famílias com autorização legal, mediante habeas corpus preventivo, para cultivar maconha para fins medicinais no Brasil, das quais quatro estão em Natal.

“Na Europa, em todo o lugar que você vai, encontrará refrigerantes, shampoos e outros produtos à base de CBH”, lembra Farias.

Trata-se de outro princípio ativo da planta, uma das 113 substâncias químicas da cannabis, que representa 40% de seus extratos, mas, ao contrário do THC, não tem efeito alucinógeno.

Para o professor Sidarta, ao limitar o THC nas fórmulas medicinais, o ministro Osmar Terra, da Cidadania, “ trata a cannabis como a morfina, de efeitos eficientes, mas perigosa, quando tudo isso, desde que controlado, pode ser domesticado, como um animal doméstico que antes foi selvagem”, faz a analogia.

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