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Tendência
Ninfoplastia: cirurgia íntima vira moda entre adolescentes brasileiras
O Brasil é líder mundial no procedimento. A febre entre adolescentes provoca reflexão sobre padrões de beleza impossíveis de serem atingidos
Por Redação
26/11/2017 | 21:15

Quando passou o efeito da sedação e Laura Vieira acordou depois da cirurgia íntima, ouviu da enfermeira: “Agora você pode posar nua em uma revista masculina”. Então com 16 anos, a menina não entendeu a gravidade do comentário, que a erotizava e condicionava sua sexualidade à estética da genitália.

Havia se submetido ao procedimento, por sugestão do médico, para diminuir a leve diferença de tamanho entre os pequenos lábios da vagina. Aos 21, estudando arquitetura, a paulistana afirma: “Hoje eu não faria a operação. Mais madura, entendi que cada um tem um corpo, não precisa seguir um modelo. Em mim, não tinha nada gritante”, diz.

O Brasil é líder mundial no procedimento, também conhecido como ninfoplastia ou labioplastia. De 2015 a 2016, o aumento das intervenções foi de 80%, passando de 12 870 para 23 155, segundo levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês).

Os médicos acreditam que o incômodo com a hipertrofia (crescimento excessivo) ou assimetria ganhou mais importância com o acesso à informação online. As mulheres descobriram que há alternativas para alcançar o que descrevem como “a vagina dos sonhos”.

O que tem surpreendido os profissionais da área, contudo, é o número de adolescentes com menos de 18 anos correndo para os consultórios. Apesar de não existirem dados oficiais, alguns calculam que metade das pacientes está nessa faixa.

De onde vem o padrão

Há várias justificativas para o comportamento das meninas. “Primeiro, a maior intimidade com o próprio corpo. Inspecionar-se no espelho era, até pouco tempo, um tabu”, destaca o ginecologista José Alcione Macedo Almeida, presidente da Sociedade Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência (Sogia).

Não é só o contato consigo mesma que aumenta. As redes sociais tornam os outros muito relevantes. Além dos nudes amadores distribuídos em aplicativos de conversa, há uma infinidade de fotos e vídeos em sites de pornografia.

Algo que antes era restrito a canais pagos de TV agora é compartilhado pelo celular e visto, às vezes, em grupos no recreio da escola. As garotas comparam o corpo delas ao das personagens que não têm pelos pubianos, com partes íntimas clarinhas e lábios internos inexistentes. Tudo muito diferente do que veem em si próprias.

“Essas atrizes ganharam ares de celebridade e promovem a superexposição e a erotização do corpo. A força da imagem torna ícones aquelas que ficam nuas publicamente e sem pudor”, explica a psicóloga Joana de Vilhena Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza do Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e autora de Corpo pra Que Te Quero? Usos, Abusos e Desusos (Appris/PUC).

A referência chega à adolescente em um momento crivado de insegurança e em que o corpo entra em julgamento. Que corpo é esse e qual é o contexto? A menstruação ocorreu mais cedo do que na geração das avós delas. À sua volta, os jovens já começaram a manter relações sexuais.

No Brasil, o fim da virgindade se dá, em média, entre 13 e 15 anos. Então, a garota passa a olhar detidamente o corpo das amigas quando vão se trocar juntas. Ela acha que há nela uma protuberância maior do que nas outras meninas, que está fora do padrão, e que todas as pessoas notam isso quando usa biquíni e calça justa. Pronto, está criada a demanda da insatisfação com os lábios da vagina.

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