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Negócios
Por que as finanças fizeram o Manchester City ser banido?
Clube inglês foi acusado pela Uefa, entidade do futebol europeu, de inflar receitas ao usar dinheiro de seu dono bilionário como forma de patrocínio
Redação
17/02/2020 | 05:00

O time de futebol inglês Manchester City está banido da Liga dos Campeões pelas próximas duas temporadas. A decisão veio na sexta-feira (14) por parte da Uefa, órgão máximo do futebol europeu e que organiza os principais torneios europeus.

O City é acusado de descumprir as regras financeiras da UEFA, o chamado “fair play financeiro”. Pela regulação do futebol europeu, um time de futebol não pode gastar mais do que arrecada — há exceção se o clube apresentar um prejuízo de no máximo 30 milhões de euros em média das últimas três temporadas. Mas o City teve um ano que teve 190 milhões de libras.

A Uefa entendeu que o City descumpriu as regras entre 2012 e 2016, ao alterar dados financeiros de seus patrocínios repassados à instituição. O City havia reportado à Uefa que sua receita vinha de seu principal patrocinador, a companhia aérea Etihad Airways, dos Emirados Árabes Unidos. Mas, na prática, uma parte do dinheiro, concluiu a Uefa, vinha direto do sheik que é dono do clube, Mansour bin Zayed, da família real dos Emirados Árabes. De qualquer forma, a própria Etihad também é uma companhia estatal que pertence ao governo dos Emirados e, assim, próxima à família do dono do City.

“A Uefa investiga, portanto, se o City fecharia patrocínio com outros patrocinadores em igual condição, ou se em razão da relação entre Eitihad e City, o patrocínio tem valores maiores ou mais inflados”, diz o advogado Eduardo Carlezzo, do escritório de advocacia especializado em esportes, Carlezzo Advogados.

Um fundo ligado ao sheik é dono do City desde 2008, quando começou a virada do clube, até então com pouca expressão no futebol europeu se comparado a rivais ingleses mais tradicionais, como Arsenal e Liverpool.

A base da investigação foi uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” em 2019, que mostrou que na temporada 2016/17, por exemplo, dos 67,5 milhões de libras de patrocínio do City, só 12% de fato veio de patrocínio da Etihad. O restante seriam, na prática, aportes diretos dos donos do clube.

Esse tipo de aporte direto no clube, fora da verba de patrocínio, é proibido pela Uefa porque, na prática, não prova que um time é capaz de se manter com seu próprio modelo de negócio. Na teoria, um time precisa provar que consegue se manter com receitas oriundas do esporte: patrocínios, direitos de televisão, bilheteria e outros segmentos. Do contrário, qualquer bilionário poderia comprar um time e aportar tanto dinheiro que o clube seria capaz de bater todos os rivais, minando a base esportiva da competição.

Para a punição, a Uefa argumenta ainda que o City não cooperou com as investigações. Em nota, o City afirmou que o time está “desapontado mas não surpreso” com a punição da Uefa. O clube afirma que vai apelar da decisão na Tribunal Arbitral do Esporte na Suíça. “O clube sempre antecipou a necessidade final de buscar um órgão e processo independentes para considerar o significativo conjunto de evidências que embasam sua posição”, disse.

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