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Futuro
Pandemia causa incerteza entre jogadores nas categorias de base
Confederação Brasileira de Futebol quer organizar torneios das categorias inferiores neste ano, mas clubes de todo o Páis são pessimistas e atletas mostram ansiedade com relação ao restante da temporada; clubes, porém, não acreditam que seja possível a organização dos jogos por causa do investimento em testes para coronavírus e outras medidas
Redação
20/07/2020 | 00:13

Enquanto os campeonatos profissionais começam a ser retomados pelo Brasil, os torneios de base ainda estão longe de uma definição. A CBF informou que pretende realizar todas as competições inferiores, estendendo o calendário para 2021, assim como acontecerá com o Brasileirão. Os clubes, porém, não acreditam que seja possível a organização dos jogos por causa do investimento em testes para coronavírus e outras medidas contra a pandemia.

Sem atividades presenciais, os jovens jogadores recebem orientações via internet dos clubes para treinos. Alguns garotos relatam a ansiedade causada pela indefinição sobre o futuro da carreira e também com a suspensão de pagamentos dos times, que dizem estar respaldados pela lei e aguardam decisão das entidades responsáveis pela organização dos campeonatos e das sanitárias para marcar a data para retomar o trabalho na base. Neste momento, está tudo parado.

O atacante Valdenilson, do sub-20 do Palmeiras, aproveitou a paralisação para acompanhar o nascimento do filho, Brayan Miguel Ele viajou ao Maranhão e, em 29 de junho, viu sua mulher Fabíola na mesa de parto. O jogador já retornou a São Paulo para ser avaliado nos treinamentos com o elenco principal do Palmeiras.

“Fiquei com bastante medo de um de nós pegar o vírus. Rezei, conversei com Deus para que não deixasse isso acontecer. Ela precisou de mim nessa quarentena e fiz de tudo para cuidar dela. E foi algo recíproco porque também tive o apoio dela nessa paralisação do futebol. Pensava: ‘se a pandemia não passar, como vou mostrar meu futebol?’. Isso ficava na minha cabeça por muito tempo, mas tive total apoio dela”, afirmou Valdenilson.

Também por causa da retomada das atividades comandadas pelo técnico Vanderlei Luxemburgo com o time, o lateral-esquerdo angolano Ramiro não conseguiu ficar ao lado dos familiares durante a pandemia.

Ele preferiu permanecer no Brasil e divide quarto de hotel com outro companheiro estrangeiro, o equatoriano Erick Pluas. Sua família vive em região pobre na cidade de Luanda.

“É um ano praticamente sem jogos, né? Isso atrapalha um pouco no desenvolvimento de qualquer atleta. A comissão técnica tem dado o melhor a nós em relação aos treinos, mas não temos a oportunidade de trabalhar conceitos técnicos e táticos na prática, já que não estamos reunidos nem no campo. A comissão técnica tem dado o melhor a nós em relação aos treinos”, disse Ramiro.

Apoio psicológico

Não é apenas a parte física ou técnica que preocupa os clubes do Brasil em relação aos jovens da base. Os times estão atentos ao aspecto psicológico dos atletas neste momento de incerteza. Muitos oferecem apoio a distância.

Ex-técnico das categorias de base da seleção brasileira e atualmente no comando do sub-20 do Bahia, Carlos Amadeu destacou a importância de os jogadores receberem apoio psicológico por causa da covid-19 e da parada. Na visão do treinador, os mais afetados são os atletas que estão perto de estourar o limite de idade da base.

“É um momento diferente, que exige muito cuidado e aprendizado. É natural que os atletas que estão no último ano sintam uma pressão psicológica maior. Criam-se dúvidas, incertezas e medos. Portanto, esse peso psicológico é inevitável. É por isso que os profissionais que trabalham com esses jovens devem ficar atentos Aqui no Bahia nós procuramos saber as condições de cada um. Qualquer observação a mais nós passamos para o setor de psicologia do clube”, afirmou.

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