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Futebol
Futebol volta no DF em estádio com 147 pacientes internados pelo coronavírus
O estádio reformado para a Copa do Mundo de 2014 abriga o principal hospital de campanha para pacientes da pandemia na região.
Estado de S. Paulo
13/08/2020 | 10:14

Sob sol forte e o clima seco da capital federal, a partida entre Capital e Real Brasília às 11h desta quarta-feira marcou a retomada do futebol no Distrito Federal. No estádio Mané Garrincha, onde o jogo foi realizado, além dos jogadores e das equipes de apoio, estavam 147 pacientes internados pela covid-19

O estádio reformado para a Copa do Mundo de 2014 abriga o principal hospital de campanha para pacientes da pandemia na região. A instalação ocupa uma área interna de 6 mil metros quadrados e tem 197 leitos. Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, no entanto, a área é distante do gramado, onde a partida de futebol foi realizada.

Campeonato local do Distrito Federal, o “Candangão” está na fase de quartas de final. No momento em que as equipes estavam em campo, a economista Ana Carolina chegava alegre ao Mané Garrincha. Não era pela partida, marcada pelo calor do meio dia e erros de passe, mas porque sairia dali com o pai, Hélio Carlos, de 80 anos, que recebeu alta após 28 dias internado pela covid-19.

Carolina conta que o pai não chegou a ser entubado, mas “ficou mal” na UTI e precisou de oxigênio. Ao saber que a data da alta do pai marcava a volta dos jogos ao Mané Garrincha, Carolina se surpreendeu. “Jogos aqui?! Ou é jogo ou é tratamento da covid-19 Não dá”, disse ela. “Acho que não vale a pena.” A maioria dos pacientes do Mané Garrincha ocupa leitos de internação. Há também 20 quartos de UTI, sendo que 15 estão ocupados.

O Distrito Federal foi uma das primeiras unidades da federação a reagir ao novo coronavírus. Ainda em 19 de março, quando havia 42 casos na capital, o governador Ibaneis Rocha (MDB) adotou medidas de isolamento. Porém, quando a capital marcava os piores dados até então, o emedebista autorizou ampla reabertura das atividades. Em entrevista ao Estadão no fim de junho, o governador minimizou o risco de sobrecarregar hospitais. “Vai lotar nada. Vai ser tratado como uma gripe, como isso deveria ter sido tratado desde o início.”

Procurado, o governo do DF alegou que não há torcida nos jogos nem interferência nos trabalhos do hospital de campanha, por causa da distância entre o gramado e os pacientes.

A avaliação do médico Julival Ribeiro, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), também é de que não há riscos. “O jogo ocorre em área aberta. É o recomendável. O vírus se transmite por gotículas, no contato até 2 metros”, disse. Ribeiro recomenda que todos os atletas realizem exames do tipo PCR, que detecta a presença do vírus. “Se estiver toda a equipe negativa, não vejo problema em relação ao jogo em si”, afirmou.

Como mostrou o Estadão, as Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro, iniciadas há cinco dias, já registram 53 casos de Covid-19 entre jogadores. Três partidas foram suspensas pela CBF por causa do novo coronavírus.

Nesta quarta-feira, mesmo dia da retomada do futebol, o Distrito Federal confirmou 55 mortos em 24 horas, novo recorde. Há 1.870 mortos e 129.184 casos da doença na região, segundo dados do governo. A partida entre Capital e Real Brasília terminou 1 a 1.

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