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Futebol
Domínio constante de apenas 5 clubes na UEFA preocupa Comissão Europeia
Estudo aponta que há concentração de poder do futebol do continente em apenas cinco países, deixando 49 outras ligas nacionais como meras espectadoras
Redação
03/04/2018 | 08:40

Quando Sevilla, Bayern de Munique, Juventus e Real Madrid entrarem em campo nesta terça-feira para dar início às quartas de final da Liga dos Campeões da Europa, estarão ajudando a confirmar uma tendência que começa a preocupar as autoridades europeias: a concentração de poder do futebol do continente em apenas cinco países, deixando 49 outras ligas nacionais como meras espectadoras. Barcelona x Roma e Liverpool x Manchester City, marcados para esta quarta, são os outros duelos de ida desta fase da competição.

Um informe oficial conduzido pela Comissão Europeia revela que o maior desafio da Uefa e das ligas nacionais nos próximos anos será o de manter a competitividade do futebol diante da disparidade cada vez maior entre os clubes.

Em um mercado desregulamentado, sem mecanismos de transferência de renda aos clubes menores e com uma concentração cada vez maior de recursos para um punhado de times, a Europa descobre que existe uma fronteira clara entre a elite do futebol e uma enorme massa de 700 clubes coadjuvantes, que não têm chances reais de títulos.

Os dados colhidos pelo governo europeu não deixam dúvidas: atualmente, Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Itália controlam o futebol europeu. Juntos, movimentam 67% do mercado do esporte mais popular do planeta, avaliado em 24,6 bilhões de euros (cerca de R$ 100,3 bilhões).

A disparidade aumentou nos últimos cinco anos. Exemplo disso é o mercado de jogadores. As cinco grandes ligas, batizadas como “Big 5”, gastavam 2 bilhões de euros (algo em torno de R$ 8,16 bilhões) com a compra de atletas em 2012. Cinco anos depois, o volume atingiu 5,9 bilhões de euros (aproximadamente R$ 24 bilhões). “O sistema de transferência é parte de um círculo vicioso, no qual os clubes mais ricos são capazes de gastar mais dinheiro com transferências, aumentar suas chances de conquistar troféus, o que acaba gerando mais renda para poder comprar os melhores jogadores do mundo”, destacou a Comissão Europeia.

Os 15 maiores clubes da Europa ampliaram seus contratos de marketing e patrocínio em 1,5 bilhão de euros (cerca de R$ 6,1 bilhões) em cinco anos. Já os demais 700 clubes conseguiram, somados, aumentar os seus contratos somente em 435 milhões de euros (aproximadamente R$ 1,774 bilhão).

Outro indicador é a participação de times entre os quatro semifinalistas da Liga dos Campeões. Entre 1985 e 1996, 22 clubes dos cinco campeonatos mais ricos chegaram às semifinais. Mas, nos últimos 11 anos, todos os 44 semifinalistas vieram dos “Big 5”. “No longo prazo, a competitividade de outras ligas certamente foi encolhida”, disse a comissão. “A atual concentração de recursos não indica qualquer tipo de inversão dessa tendência”, concluiu o informe.

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