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Mudanças
Campeão do surfe agora será definido em dia único e com mata-mata polêmico
Se antes o título era dado ao surfista que mais somasse pontos ao final da temporada, agora haverá um evento extra para definir o campeão mundial. No total, serão dez etapas
UOL
19/07/2020 | 16:40

Além de cancelar o evento de 2020 por conta da pandemia do coronavírus, a Liga Mundial de Surfe (WSL) anunciou nesta sexta-feira (17) mudanças importantes para a temporada de 2021, que terá início no fim desse ano, no Havaí. A mais impactante delas diz respeito a como o campeão mundial será definido a partir de agora: em dia único, através de uma espécie de mata-mata.

Se antes o título era dado ao surfista que mais somasse pontos ao final da temporada, agora haverá um evento extra para definir o campeão mundial. No total, serão dez etapas, com os cinco melhores surfistas classificando para a “The WSL Finals”, como vem sendo chamada (veja abaixo como vai funcionar).

“A WSL Finals contará com os cinco melhores homens e mulheres lutando pelo título num novo esquema de mata-mata. Quando considerarmos o evento em dia único, que vai decidir o título mundial, sabíamos da necessidade de dar oportunidade aos melhores surfistas da temporada e recompensar com justiça o desempenho da temporada”, esclarece o ex-surfista da elite Pat O’Connell, atual vice-presidente sênior de excursões e competição da WSL.

“Em colaboração com nossos surfistas, projetamos um formato no qual os números 1 do ranking masculino e feminino após dez etapas serão beneficiados com uma vantagem na decisão do campeão do mundo. São os melhores surfistas do mundo, um contra o outro, em uma batalha de dia único pelo título mundial”, acrescenta.

A WSL citou o Mundial do ano passado, quando Ítalo Ferreira e Gabriel Medina definiram o título com uma bateria épica em Pipeline, no Havaí, como um dos motivos que levaram a entidade a mudar o formato da competição.

“No ano passado vimos como isso é mágico e forte com dois surfistas se enfrentando na bateria final da temporada com o título mundial em jogo. De agora em diante, isso vai acontecer todo ano”, explica Pat O’Connell.

Atletas de elite divididos

O UOL Esporte conversou com três brasileiros que hoje fazem parte da elite do surfe mundial. Quarto colocado no ano passado, Filipe Toledo, o Filipinho, acredita que a mudança feita pela WSL carrega prós e contras, mas que o novo formato ‘tem tudo para dar uma bombada’ no esporte.

“O novo formato tem os pontos positivos e negativos, mas acredito que pode abrir grandes possibilidades para o esporte no futuro. É hora de mudar e esse é o melhor momento, quando tempos tempo, podemos discutir entre atletas, entre dirigentes. E foi isso que aconteceu. Todos chegaram a um consenso. Tem tudo para dar uma bombada no nosso esporte, nas nossas carreiras, portas sendo abertas para patrocinadores e espero que dê muito certo esse novo formato”, analisa Filipinho.

Já Alex Ribeiro, que está de volta à elite depois de disputar o WCT em 2016, vê os atletas divididos com o ‘novo mata-mata’: “É um formato diferente que a galera vai ter que se adaptar. Estão querendo fazer umas mudanças radicais em busca de melhoras, mas vamos aguardar. Meio difícil. Se um cara ganhar disparado, não vai ser coroado campeão. Alguns acharam legal, outros não. Está bem dividida a opinião da galera”.

Para Tatiana Weston-Webb, brasileira classificada para os Jogos Olímpicos, o novo formato pede que os surfistas estejam ainda mais ligados: “2021 vai ser um compromisso bem legal, todos terão de ficar bem ligados, mas é bacana”.

“Não acho muito justo”

Ex-surfista da elite e primeiro brasileiro a tirar uma nota 10 em Pipeline, Renan Rocha, hoje comentarista dos canais ESPN, tem bagagem para analisar os dois lados da moeda. Como ex-competidor do WCT, ele acredita que a mudança não é justa.

“Como ex-competidor, eu não acho muito justo porque você vem fazendo um ano maravilhoso e, de repente, chega naquele dia e você não está bem, acordou mal, ou acontece alguma tragédia na sua família, e o título mundial passa pela sua mão depois de ter vencido várias etapas em ondas diferentes. Eu acho que o campeão mundial é isso, é aquele que domina o circuito vencendo em várias ondas bem diferentes no circuito”, diz em entrevista exclusiva concedida ao UOL Esporte.

“Já vai ser meio parecido com as Olimpíadas. Uma bateria, um dia, e aquele é o seu momento. Se for o seu, você vai ser o campeão mundial. Mas, na justiça, como ex-competidor, eu não gostei muito, não”, acrescenta.

Em contrapartida, o comentarista da ESPN destaca a importância do novo formato para a televisão e classifica a mudança, nesse sentido, como ‘um golaço’ da WSL.

“Fizeram esse formato pra, comercialmente, vender pra TV. É um golaço. Agora a gente sabe: tal dia, tal hora, teremos transmissão ao vivo do surfe para decidir o título mundial. Isso é um espetáculo. Eles fizeram para ganhar dinheiro. Isso, pra venda, pra televisão, é formidável”, diz.

Pipeline: de última etapa para primeira

Outro ponto negativo apontado por Renan Rocha entre as mudanças anunciadas pela WSL foi a retirada de Pipeline como palco da última etapa do Mundial. O local que abrigará o evento decisivo – The WSL Finals – ainda não foi definido pela entidade.

“Tirar uma final em Pipeline, que era o êxtase do esporte, e transferir para uma onda pequena, pode ficar triste para o público que já conhece o circuito. Pipeline era desafiante, era o ‘Gran Finale’. Uma pena isso” completa.

Já entre os atletas, começar a temporada no principal palco do surfe pode ser positivo. “Acho que vai ser bom para a visibilidade do esporte e para a corrida do título vai ser legal. Vamos ter oportunidade de surfar onda boa”, disse Filipinho. Para mim essa foi a melhor notícia. Eu amo o Havaí e as ondas e para mim vai ser um bom início de temporada. Seria muito legal para todos verem, bastante energia. É um lugar mágico”, acrescenta Tatiana. “Começando em Pipe vai ser alucinante”, completa Alex.

Igualdade entre homens e mulheres

A partir do Mundial de 2021, o número de eventos no CT masculino e feminino será o mesmo pela primeira vez na história. São 11, começando em novembro para as mulheres, em Maui, e em dezembro para os homens, em Pipeline. Outra novidade para as mulheres é que, com Teahupoo, uma das ondas mais desafiadoras do circuito, o CT feminino volta ao Taiti pela primeira vez desde 2006.

Veja todo o cronograma:

  • Shiseido Maui Pro: Maui, Havaí: 25 de novembro a 6 de dezembro de 2020 – apenas feminino
  • Billabong Pipe Masters: Oahu, Havaí: 8 a 20 de dezembro de 2020 – apenas masculino
  • MEO Pro Portugal: Peniche, Portugal 8 a 28 de fevereiro de 2021
  • Corona Open Gold Coast: Queensland, Austrália: 18 a 28 de março de 2021
  • Praia do Rip Curl Pro Bells: Victoria, Austrália: 1 a 11 de abril de 2021
  • Margaret River Pro: Austrália Ocidental, Austrália: 16 a 26 de abril de 2021
  • Oi Rio Pro: Saquarema, Brasil: 20 a 29 de maio de 2021
  • Surf Ranch Pro: Califórnia, EUA: 0 a 13 de junho de 2021
  • Quiksilver Pro G-Land: Indonésia: 20 a 29 de junho de 2021
  • Corona Open J-Bay: África do Sul: 7 a 19 de julho de 2021
  • Outerknown Tahiti Pro: Teahupo’o, Tahiti: 26 de agosto a 6 de setembro de 2021
  • Finais da WSL: Local a ser definido: 8 a 16 de setembro de 2021
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