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Encontro
Brasil e Alemanha se encontram pela segunda vez no Nordeste
Em 37 anos, só dois encontros aconteceram na região: 2005, em Fortaleza, e agora na capital potiguar, com a presença do presidente em exercício, Hamilton Mourão
Marcelo Hollanda
17/09/2019 | 08:06

Ao abrir nesta segunda-feira, 16, o segundo dia do 37º Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA), no Centro de Convenções de Natal, o presidente da Federação das Indústrias Alemãs – BDI  – Dieter Kempf, o similar alemão do presidente da CNI brasileira, Robson Andrade, não precisou falar muito para fazer chover farpas contra a atual política protecionista dos EUA, que na opinião dele desestabiliza o mundo.

Mais adiante, num outro recado que poderia ser interpretado mais para os brasileiros, Kempf falou sobre a importância da preservação da Amazônia e deu um conselho que cairia como uma luva para dirigentes que falam demais. “É melhor falarmos de nós mesmos, debatermos nós mesmos, do que falarmos dos outros”, aconselhou.

Ele não deu trabalho para a tradução simultânea do evento. Com frases que se explicavam automaticamente, e sugeriam várias reflexões, ele contribuiu para valorizar um encontro que, em seus 37 anos de existência, só aconteceu duas vezes no Nordeste: em 2005, em Fortaleza, e agora, 14 anos depois, em Natal.

Kempf disse, por exemplo, que “parcerias” são sempre uma “pré-condição”, ou seja, vêm antes da concretização de negócios; que todos os países, incluindo o Brasil, precisam de indústrias de porte e que, dentro desse contexto, a “inovação” e a “pesquisa” são fundamentais.

Afirmou que “fôlego de longo prazo” e “organização” são mesmo vitais para chegar onde se deseja e repetiu o que já se sabe, mas é bom sempre ouvir: “O Brasil é o principal parceiro da Alemanha na América do Sul”, o que é sempre importante quando se fala da economia mais importante da Europa, continente que o Mercosul deseja alcançar.

Com 1,6 mil empresas no Brasil e uma carteira de investimentos de 20 bilhões de dólares, pode-se dizer que as inovações tecnológicas iniciadas na virada do milénio no País tem o protagonismo de empresas alemãs.

O presidente da BDI defendeu a manutenção dos acordos climáticos e comerciais e lamentou o tom de ácido adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo ele, contrário às necessidades do desenvolvimento global.

Por fim, Kempf defendeu a rápida entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, como um passo importante em “tempos de isolacionismo”, outra farpa no governo norte-americano, dita a poucos metros do possível embaixador do Brasil na América, Eduardo Bolsonaro.

Além disso, Kumpf defendeu o início das negociações de um acordo para evitar a dupla tributação como o Brasil. Trata-se de um tema concorrente dos encontros econômicos entre Brasil e Alemanha.

A celebração de um acordo para evitar dupla tributação entre dois países é prioridade para aumentar a segurança jurídica e a competitividade das empresas.

Um levantamento feito há dois anos pela CNI mostrou que 64% das 25 maiores multinacionais brasileiras são afetadas pela falta de acordos de bitributação. Para Kempf, quanto o mais rápido se chegar a um acordo tanto melhor será para ambas economias.

Os frutos já começaram, diz Fátima

Governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra

A governadora Fátima Bezerra antecipou alguns interesses prioritários dos acordos bilaterais do Nordeste com países como a Alemanha: fechar e ampliar negócios e ampliar a conectividade da região com uma internet mais rápida, o que é uma pré-condição desse desenvolvimento.

A governadora estava visivelmente satisfeita com a presença de empresários ao encontro Brasil-Alemanha, quase mil ao todo de ambos os países. E confirmou que “há empresas interessadas em investir e, quem já investe, interessadas em ampliar na área de energia e outros segmentos”.

O governador da Bahia, Rui Costa, coordenador do Fórum dos Governadores do Nordeste, que manteve um encontro nesta segunda-feira, em Natal, disse que parcerias bilaterais como a Alemanha são o caminho mais curto para integração econômica e a geração de emprego e renda, a prioridade do momento.

Já sobre o Consórcio do Nordeste, o governador disse que o foco é dar escala à economia do Nordeste e atender a preocupações da sociedade. E lembrou que a primeira licitação conjunta na área de saúde já iniciada tem como objeto baratear os custos de medicamentos para os estados.

Mourão recebido em alto estilo

Hamilton Mourão representou a presidência da República

O presidente da República em exercício, general Hamilton Mourão, como já era de se esperar, desembarcou com segurança redobrada em Natal, mas com tempo para manter um encontro com a governadora Fátima Bezerra.

Mais tarde, no Centro de Convenções, ela disse que o encontro foi marcado por muita harmonia e cortesia, inclusive com promessas de ajuda ao Rio Grande do Norte.

“Foi uma ótima reunião, mostramos nosso plano de reduzir a violência, de avançar no descontingenciamento do Plano Nacional de Segurança Pública. Foi um encontro muito respeitoso e o general elogiou as conquistas do Estado de reduzir os índices acima da média nacional”, afirmou Fátima.

Em seu discurso na abertura do 37º Encontro Econômico Brasil Alemanha, Mourão disse que o mundo “atravessa uma fase de intensa transformação” na qual governo, empresas e a sociedade “precisam estar em constante inteiração e coordenação para navegar com segurança por esses mares revoltos do século XXI”.

Segundo ele, ao mesmo tempo em que o país ampliou seu acesso a bens, serviços e comunicação, “também agravou a volatilidade, acirrou a competição e ampliou as suas vulnerabilidades”.

Disse que as sociedades, “mesmo aqueles países mais desenvolvidos, encontram-se em permanente estado de alerta” e o Brasil “atravessa uma severa crise econômica”.

Lembrou que o presidente Bolsonaro e ele foram eleitos por um movimento popular, que culminou numa onda de indignação e um vigoroso movimento de resgate do país.

Afirmou que a economia brasileira “não está em sintonia com seu tempo e as instituições públicas ainda estão distantes de atender os anseios e necessidades da população”.

Lembrou que o Brasil ainda precisa mudar para alcançar seu espaço no ambiente global, mais complexo e competitivo e precisa se reconectar à economia mundial. “Na América do Sul, nosso contexto regional, apresenta ainda vulnerabilidades na transformação de produtos primários e nos avanços tecnológicos”, acrescentou.

Para Hamilton Mourão, há pelo menos dois graves problemas a serem vencidos: as estruturais como as contas públicas deficitárias e baixa produtividade. E disse que a reforma da Previdência é necessária para “honrar um pacto geracional”.

Previu que para aprovar as leis necessárias no Congresso será preciso enfrentar obstáculos naturais decorrentes da alta fragmentação partidária, mas explicou que isso faz parte da democracia. “Será preciso determinação e paciência”, aconselhou.

Lembrou que a Alemanha é a principal economia europeia, quarta economia mundial, com 1.600 empresas no Brasil e um estoque de investimentos no Brasil de 20 bilhões de dólares.

“Importante investidor do setor industrial com crescente participação nos setores de infraestrutura, logística, petróleo e gás e tradicional defensor da integração europeia, do multilateralismo e do acordo entre o Mercosul e União Europeia”, completou Mourão.

Encontro Econômico Brasil – Alemanha 2019
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