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Editorial
Pós-sindicalismo
Redação
02/07/2020 | 03:56

Uma das primeiras manifestações com a marca Covid-19 de penetração nacional acaba de acontecer. Entregadores que trabalham com aplicativos fizeram nesta quarta-feira protestos pelas ruas de várias capitais brasileiras.

Pelo caráter nacional e difuso, o movimento dá bem o tom de como os os trabalhadores agirão a partir de agora, independentes de estruturas sindicais.

No caso de entregadores que trabalham para aplicativos, a pauta é bastante justa e específica. Pede o aumento da remuneração por entrega, uma taxa mínima por corrida, fim dos desligamentos, fim do sistema de pontuação, seguro e auxílio-pandemia.

O fato de o movimento ter sido inspirado na criminosa greve dos caminheiros de 2018, quando o País amargou bilhões em prejuízos, não tem a menor correlação, já que as pessoas ou empresas não chegarão a ficar reféns de um colapso desse serviço, podendo correr para o mercadinho mais próximo.

Mas não deixa de ser interessante a maneira rápida com que o movimento se organizou, sem a necessidade de uma estrutura física e burocrática que tornasse a categoria de entregadores apta a se fazer ouvir.

Podem não ter o poder devastador dos caminhoneiros, especialmente quando há donos de grandes frotas por trás financiando, mas causam estragos efetivos para as empresas que dependem do serviço para faturar. E elas, acreditem, são muitas.

Com a informalidade grassando no País e uma economia mergulhada na estagnação, por conta da pandemia, outros setores da sociedade, cada qual com o seu cacife, tenderá a prescindir de sindicatos por uma razão simples: a existência de uma comunicação direta via redes sociais é melhor.

Essa ferramenta que vem facilitando a vida do comércio agredido pelo coronavírus é também o mesmo fio condutor que poderá desmobilizar a logística de entregas miúdas na mesma proporção em que os caminhoneiros puderam desabastecer cidades em todo o Brasil.

Mal comparando, é a modernidade em tempos de pandemia, reorganizando o trabalho e o trabalhador segundo suas próprias necessidades. E sem sindicatos.

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