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Opinião
Aglomerações em Ponta Negra mostram falta de informação
Daniela Freire
20/07/2020 | 22:51

Fazendo falta agora
As cenas de aglomeração vistas neste fim de semana em Ponta Negra mostram que uma coisa básica em tempos de pandemia está faltando para a população natalense: comunicação, informação, educação.

Comunicar é preciso
Investir pesado em propaganda educativa deveria ter sido prioridade desde o início da crise sanitária no Brasil, principalmente em tempos de divulgação em massa de fake news, o que dificulta a chegada da informação correta e faz com que muitos até duvidem da existência do coronavírus. Ou acreditem que remédios como ivermectina ou hidroxicloroquina irão salvá-los caso se contaminem.

Informar
É preciso que o poder público – estadual e municipal – diga enfaticamente ao povo potiguar que o coronavírus não acabou. Que a flexibilização ocorre por uma questão de necessidade econômica, mas que deve ser feita sob todo um protocolo de higiene sanitária e preocupação do comércio e das atividades econômicas que estão podendo funcionar.

Ganhar confiança
É necessário que propagandas educativas informem amplamente sobre a realidade da pandemia, que diga o que é real e o que é fake news, o que a ciência aprova e o que ainda está em estudo. Que afirme enfaticamente que os medicamentos distribuídos ainda não possuem eficácia comprovada e que tomá-los não significa que o cidadão pode voltar à rotina de antes.

Realidade
A chefe da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado, Guia Dantas – que, inclusive, já reclamou da dificuldade que o governo tem de fazer e divulgar propaganda educativa – foi ao Twitter para comentar as filmagens das pessoas em Ponta Negra. “No RN, a Grande Natal tem ocupação de leitos críticos beirando os 87% (Regula, 19h34) e as praias como estavam hoje?”, questionou.

Maracanã de mortos
A jornalista ainda ressaltou que, no mesmo domingo em que muitos natalenses resolveram ignorar o coronavírus, o consórcio de veículos de imprensa divulgou um total 78.871 mil mortos por Covid-19. “Um maracanã inteiro”, disse.

Lição
É como escreveu o jurista Carlos Ayres Brito, ex-ministro do STF, em seu Twitter: “As pandemias advertem: há momentos em que primeiro é preciso sobreviver, pra somente depois se voltar a viver”.

Risco alto
Um dos mais conceituados infectologistas do RN, PhD em Infectologia, o médico Kleber Luz disse nesta segunda-feira, por videoconferência, aos deputados estaduais que compõem a Comissão de Acompanhamento das Ações de Enfrentamento à Covid-19 na Assembleia Legislativa, que a distribuição de ivermectina pode contribuir para a morte de pessoas que acreditam estarem imunes ao novo coronavírus.

Consequências
“Sim (corre risco de morrer). Se não há comprovação de eficácia, há um risco de colaborar para se afrouxar o isolamento e, se a pessoa tem comorbidades, ela corre o risco de morrer mesmo tomando a medicação”, garantiu Kleber Luz.

Retorno zero
Na conversa com os parlamentares sobre a eficácia de medicamentos no combate à Covid-19, o médico foi claro: a recomendação é de que não seja massificado o uso de remédios sem comprovação científica de eficácia, sob pena de haver má utilização dos recursos públicos e nenhum retorno à sociedade.

Contra
“Distribuir medicamentos é bom, é uma medida positiva, desde que os medicamentos tenham efeito. Distribuir remédio de pressão alta, verme, é excelente iniciativa. Distribuir remédio que não funciona é mais complicado”, afirmou.

Zelo
Ainda na videoconferência com os deputados, Kleber Luz opinou sobre a distribuição do vermífugo pela Prefeitura de Natal: “O gestor, que está usando o dinheiro público, deveria ter ouvido as partes, o contraditório, porque as opiniões são divergentes. Deveria se ouvir a parte da comunidade que também estuda e produz conhecimento. Não posso julgar se é certo ou errado, mas penso que faltou um pouco de cuidado e zelo”.

Rápidos

A notícia que todos festejaram nesta segunda-feira: “Vacina de Oxford para Covid-19 é segura e induz resposta imune, dizem cientistas”. O imunizante não provocou efeitos colaterais graves e desenvolveu respostas imunes a anticorpos e células T e está em testes no Brasil.

Mas, segundo a OMS, ainda é preciso cautela pois há um “longo caminho a percorrer”. A organização comemora que a vacina se mostrou segura e produziu resposta imune, mas ressaltou que esta foi a fase um dos ensaios clínicos.

O rapper Kanye West fez o seu primeiro comício em busca da presidência dos Estados Unidos neste domingo. O discurso do marido da empresária e celebridade americana Kim Kardashian falou em aborto e maconha, que ele disse que “deveria ser legalizada”.

As eleições de 2020 devem ter mais mulheres e policiais em disputas competitivas por prefeituras de capitais, informa a Folha de S.Paulo. “Seis delegadas e duas policiais militares são pré-candidatas em sete cidades, por diferentes partidos”.

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