O bolsonarismo, com apoio de parte da mídia oficial, está puxando nas redes sociais a tag “O povo pelo povo”. É o velho oportunismo movido a fake news sempre a postos para descredibilizar o Governo Lula. Tem também o viés da manutenção do discurso ideológico da defesa do Estado mínimo, por mais que usem maximamente o Estado em benefício próprio quando lhes convém.
Dizem que o povo está precisando “se mobilizar por conta própria” esquecendo a ideia de que levar a classe trabalhadora a se unir e comandar os meios de produção é justamente o que defendem as esquerdas.

É importante a compreensão de onde estão mesmo os culpados pela tragédia que ora se abate sobre o estado gaúcho.
O primeiro sintoma é a frase muito repetida nas redes sociais de que “não é hora de procurar culpados”, pronunciada primeiramente pelo governador Eduardo Leite e replicada por um cordão de puxa-sacos.
Foram quatro anos de destruição, demolição do Inpe, queimadas, garimpo ilegal, mercúrio nos rios, negacionismo à ciência, vacinas e máscaras, genocídio em vários graus. E agora, a natureza está cobrando a conta.
Irão argumentar que em 1941 aconteceram enchentes ali e não havia o bolsonarismo. Que Eduardo Leite não era nem nascido. Mas, daqueles tempos até agora vinha se tentando buscar equilibrar a relação homem/natureza para que tragédias como esta não voltassem a acontecer. Somente do Código Ambiental, Leite jogou no lixo mais de 400 artigos. O prefeito Sebastião Melo, de Porto Alegre, sempre agrediu a natureza, e um ex-prefeito tucano ameaçou tratorar um muro de arrimo feito para contenção de enchentes.
Deputados gaúchos de direita vêm votando sistematicamente contra todas os projetos de leis de defesa da natureza, tanto nos seus estados como em todos os biomas brasileiros.
Sem políticas públicas não tem planos de ação de estados nem municípios, não existem projetos de cidades e o caos que hoje flagela a população gaúcha se deve, sem sombra de dúvidas, ao abandono das políticas públicas dos governos estadual e municipal, irresponsáveis e negligentes que transferem suas próprias responsabilidades para o setor privado, que, com raríssimas exceções, só cuida das próprias contas bancárias.
Lula, que teve uma baixa votação ali, chegou com todo o aparato do Estado para ajudar a salvar o povo gaúcho das consequências do caos provocado por prefeito, vereador, senador e deputados muito bem votados naquele chão molhado.
O bolsonarismo que ali saiu vitorioso e apoia prefeito e governador não tem feito outra coisa que não tocar o terror com sua azeitada máquina de fake news, já usada na eleição, quando tudo valia para a tentativa de vitória do poder da mentira, em um governo que usava como slogan o versículo bíblico que diz: “Conhecereis a verdade e a verdade te libertará.”