A disseminação do novo coronavírus (Sars-CoV-2) hoje no Brasil vem num ritmo igual ao da Itália de semanas atrás e ganhando velocidade. Segundo um estudo conduzido por sete universidades, o número de casos deve passar de 3 mil já na terça-feira (24).
O balanço desta quinta-feira (19) do Ministério da Saúde apontava 621 casos em todo o país — sete pessoas já morreram.

“Nossos cálculos corroboram a ideia que o início da curva epidêmica brasileira é igual às da Itália e da Espanha, quando estes países estavam no início”, afirmou o professor Roberto Kraenkel, do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).
Para sábado (21), a estimativa é de 1.091 casos; para domingo (22), 1.478; segunda (23), 2.003; e terça, 2.714 (24). Há um intervalo para cada dia, com mínimas e máximas, que prevê até 3,4 mil casos na terça.
Projeção de casos
Kraenkel participa do Observatório Covid-19 BR, que estuda os números da pandemia no país. O grupo reúne professores da Unesp, Unicamp, USP, UnB e UFABC, além das universidades de Berkley e (EUA) Oldenburg (Alemanha).
Um dos cálculos feitos é o do tempo de duplicação de infectados.
“Uma forma de acompanhar a epidemia é seguir o tempo de duplicação dia a dia. Se as ações de contenção surtirem efeito, vamos observar o tempo de duplicação aumentar. Esta é uma forma de saber se estamos conseguindo ‘domar’ o coronavírus”, detalhou Kraenkel.
Esse tempo, com os dados do Ministério da Saúde de quinta, está em 2,28 dias — e caindo. Isso quer dizer que, no Brasil, a cada 54 horas e 43 minutos, o número de contaminados dobra.
Quanto mais baixo for esse tempo, mais rápida corre a pandemia no país. O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi confirmado no dia 26 de fevereiro.
“Se tenho, digamos, 10 casos, quanto tempo leva para ter 20, depois 40 e 80?”, explicou o professor.
Um fator que interfere nesse cálculo é o número de testes feitos. Na Itália, por exemplo, até o dia 9, 60 mil pacientes foram testados — ou mil kits a cada milhão de habitantes. Na Coreia do Sul, foram quatro vezes mais.
O Ministério da Saúde informou que, na rede pública, foram feitos 13 mil testes, ou 62 para cada milhão de brasileiros. Não há estatísticas para a rede particular.