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Declaração
Witzel fala em ‘possível uso político’ do MPF e cita família Bolsonaro
"Bolsonaro já declarou que quer o Rio de Janeiro. Já me acusou de perseguir a família dele, mas diferentemente do que ele imagina, aqui a Polícia Civil, o Ministério Público é independente e eu me preocupo muito com essa questão política que vivenciamos hoje", disse Witzel
UOL
28/08/2020 | 12:43

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) fez um pronunciamento na manhã desta sexta-feira, 28, e se disse indignado com a determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça) em afastá-lo do cargo imediatamente devido a suspeitas de fraude em compras na área da saúde durante a pandemia do coronavírus. O governador chegou a citar “possível uso político” do Ministério Público Federal.

“É uma busca e decepção. Não encontrou R$ 1, uma joia. Simplesmente mais um circo sendo realizado. Lamentavelmente a decisão do sr. Benedito (Gonçalves, ministro responsável pela decisão), induzido pela procuradora na pessoa da dra. Lindora (Araújo, subprocuradora-geral da República), está se especializando em perseguir governadores e desestabilizar os estados com investigações rasas, buscas e apreensão preocupantes. Eu e outros governadores estamos sendo vítimas do possível uso político da instituição”, afirmou.

Através de nota, a PGR (Procuradoria-Geral da República) afirmou que a atuação se baseia em provas e recusou a tese de uso político da investigação.

O governador do Rio disse que a atual situação é uma questão política e citou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Bolsonaro já declarou que quer o Rio de Janeiro. Já me acusou de perseguir a família dele, mas diferentemente do que ele imagina, aqui a Polícia Civil, o Ministério Público é independente e eu me preocupo muito com essa questão política que vivenciamos hoje”, disse. […] “O presidente da República fez acusações contra mim extremamente graves e levianas. Acredita que vou ser candidato a presidente? O Brasil precisa de gente séria, de gente comprometida com um futuro melhor”.

Nesta manhã, Bolsonaro ironizou o afastamento do governador. “O Rio tá pegando hoje, hein?”, questionou o presidente ao ser abordado por um apoiador carioca, quando deixava o Palácio da Alvorada. “Está sabendo do Rio hoje? Quem é teu governador?”, completou ele.

Durante a crise do coronavírus, no entanto, Witzel tentou iniciar uma mobilização política para viabilizar a sua candidatura à Presidência da República em 2022. Isso colocou os ex-aliados em lados opostos. Bolsonaro tentará a reeleição para permanecer no cargo por mais quatro anos. Em reunião ministerial em 22 de abril, Bolsonaro chamou Witzel de “estrume”.

No pronunciamento, Witzel contesta a tese que estaria atrapalhando as investigações e disse que desafia qualquer pessoa a mostrar qual foi o ato que ele praticou neste sentido.

“Eu desafio quem quer que seja a qual foi o ato que pratiquei para prejudicar as investigações. Eu afastei o secretário da Saúde, eu determinei auditoria em todos os contratos e a suspensão dos pagamentos”, disse.

“Todas as medidas que eu venho tomando são contrárias a qualquer decisão de afastamento porque não há nenhum ato praticado por mim ao longo desses meses que possa caracterizar que eu atrapalhei a investigação”, avaliou o governador.

Governador contesta afastamento por 180 dias

Witzel também questionou o prazo de 180 dias de afastamento que foi determinado na decisão do STJ. “Em dezembro tenho que escolher um novo procurador-geral de Justiça”, indica o governador. O escolhido será responsável por assumir as investigações do esquema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que tem entre os investigados o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente.

O governador lembrou que a subprocuradora-geral Lindora Araújo é próxima da família e cobrou respostas do MPF. “Se tem participação ou não (de Bolsonaro), não cabe a mim investigar. Agora a dra. Lindora tem relação com Flávio Bolsonaro. Essas questões precisam ser respondidas no Conselho Nacional do MP”, avaliou.

Sem citar nomes, Witzel apontou que há outros interesses envolvidos em sua investigação. “Há interesses poderosos contra mim que querem destruir o Rio de Janeiro atingindo a mim, o presidente da Assembleia Legislativa (André Ceciliano), mas a mim ninguém fragiliza. Pode fazer o que quiser”, desabafou.

Afastamento imediato O STJ

(Superior Tribunal de Justiça) determinou hoje o afastamento imediato de Witzel do cargo de governador do Rio de Janeiro devido a suspeitas de fraude em compras na área da saúde durante a pandemia do coronavírus. A decisão do ministro Benedito Gonçalves tem validade inicial de 180 dias. O vice-governador Cláudio Castro assume o cargo. Witzel também foi denunciado pela PGR (Procuradoria-geral da República).

Ao todo, a Polícia Federal cumpre hoje 16 mandados de prisão, sendo seis preventivas e 10 temporárias, e 82 de busca e apreensão no âmbito da operação que foi batizada de “Tris in Idem” e é desdobramento da Operação Placebo, que investiga corrupção em contratos públicos do Executivo fluminense.

Subprocuradora se defende

Em nota, a PGR rebateu a acusação de uso político na denúncia e afirmou que a atuação da subprocuradora-geral da República Lindora Maria Araújo se baseia em provas.

“Assim como em todos os casos que tramitam na Assessoria Jurídica Criminal para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), sua atuação é pautada em provas e é sempre submetida à apreciação do Poder Judiciário. O descontentamento dos investigados é natural e deve ser manifestado e rebatido nos autos”, informou o órgão.

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