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Saúde
Vacinas e pessoas assintomáticas podem ser a chave para os mistérios da Covid-19
Por que a experiência com o vírus pode ser tão diferente de pessoa para pessoa? Um especialista acredita que a resposta pode estar relacionada ao histórico de vacinas dos indivíduos
CNN Brasil
11/08/2020 | 15:51

Enquanto profissionais de saúde trabalham para controlar o avanço do coronavírus, pesquisadores de todo o mundo estão buscando respostas para os mistérios da doença que ainda persistem.

Um deles: por que a experiência com o vírus pode ser tão diferente de pessoa para pessoa? Um especialista acredita que a resposta pode estar relacionada ao histórico de vacinas dos indivíduos.

“Quando analisamos o cenário da doença causada pelo coronavírus, descobrimos que as pessoas que receberam uma variedade de vacinas (para pneumococo, gripe, hepatite e outras) parecem ter um risco menor de contrair a doença”, disse o doutor Andrew Badley, especialista em doenças infecciosas da Clínica Mayo, em entrevista a Anderson Cooper, da CNN, na noite de segunda-feira (10).

Segundo o médico, é o que os imunologistas chamam de treinamento imunológico: a maneira como seu sistema imunológico cria uma resposta eficaz para combater infecções. “Uma boa analogia é pensar no sistema imunológico como um músculo: quanto mais você exercita esse músculo, mais forte ele será quando você precisar”.

Não houve evidência definitiva de quaisquer outras vacinas aumentando a imunidade contra a Covid-19. Mas alguns pesquisadores têm sugerido que isso é possível.

Em junho, uma equipe de cientistas nos EUA propôs dar uma dose de reforço da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR, também chamada no Brasil SRC ou tríplice viral) às pessoas para ver se ela ajuda a prevenir os efeitos mais graves de infecções por coronavírus. No mês passado, pesquisadores descobriram que os países onde muitas pessoas receberam a vacina do bacilo Calmette–Guérin (BCG) contra tuberculose tiveram menos mortalidade por coronavírus, uma descoberta que se encaixa com outras pesquisas que sugerem que ela pode aumentar a imunidade das pessoas em geral.

Outra questão em estudo é que, uma vez infectado, a quantidade de vírus que entrou em seu corpo também pode ter um impacto em sua experiência, como informou outra especialista à CNN na segunda-feira.

A doutora Monica Gandhi, especialista em doenças infecciosas da Universidade da Califórnia, em San Francisco, tem trabalhado com um grupo de pesquisadores para entender como mais pessoas podem sofrer infecções com raros ou nenhum sintoma. De acordo com uma estimativa feita no mês passado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs) dos Estados Unidos, cerca de 40% das pessoas infectadas pelo coronavírus não têm sintomas.

A equipe da doutora Gandhi descobriu que a diferença pode estar no uso de máscaras. “Elas reduzem de fato a quantidade de vírus que entra no seu corpo se você for infectado”, explicou. “E com essa redução, recebendo uma carga menor, a pessoa consegue administrar a doença, ter uma resposta mais tranquila, com sintomas leves ou nenhum sintoma”.

Até agora, mais de cinco milhões de norte-americanos testaram positivo para o vírus e pelo menos 163.461 morreram.

Aumento de 90% em casos infantis em um mês
Mais pesquisas sobre a relação entre crianças e o coronavírus no período de volta às aulas também têm surgido.

De acordo com um relatório publicado na segunda-feira pela Academia Americana de Pediatria e pela Children’s Hospital Association, houve um aumento de 90% no número de casos de coronavírus entre crianças e adolescentes nos Estados Unidos ao longo de quatro semanas.

O novo relatório, que a partir de agora será atualizado semanalmente, disse que o país registrou 179.990 novos casos de Covid-19 entre crianças e adolescentes entre 9 de julho e 6 de agosto.

Mais de 380 mil foram infectados até 6 de agosto, o que representa pouco mais de 9% do total de casos nos estados que notificam por faixa etária.

O documento foi revelado numa época em que mais estudos sugerem que as crianças podem desempenhar um papel importante na transmissão do vírus. Uma pesquisa afirma que crianças mais velhas podem transmitir coronavírus tanto quanto adultos; outra descobriu que menores de 5 anos carregavam uma carga maior do vírus, o que também levantou questões sobre o seu papel na propagação da doença.

E, embora algumas autoridades norte-americanas, incluindo o presidente, tenham dito que o vírus não representa um grande risco para as crianças, os especialistas dizem que não é esse o caso.

“Não é justo dizer que este vírus é completamente benigno em crianças”, afirmou o doutor Sean O’Leary, vice-presidente do Comitê de Doenças Infecciosas da Academia Americana de Pediatria. “Já tivemos 90 mortes de crianças nos Estados Unidos em apenas alguns meses. Todos os anos nos preocupamos com a gripe em crianças, e há cerca de 100 mortes em crianças por causa da gripe anualmente”.

Ainda assim, muitas escolas e universidades em todo o país estão seguindo com planos de retomar o ensino presencial, apesar dos protestos de professores em todo o país, clamando que o retorno às aulas pode ser mortal.

No estado da Geórgia, vários distritos escolares relataram casos do vírus após a reabertura. Apenas num deles, o Cherokee County School District, mais de 480 alunos foram postos em quarentena desde o início das aulas no início deste mês. O distrito registra até agora 25 casos positivos entre estudantes e seis casos entre funcionários.

No Mississippi, pelo menos 22 escolas em todo o estado registraram casos positivos, de acordo com o Diretor de Saúde do Estado, doutor Thomas Dobbs. Foram notificados 19 casos entre estudantes e 15 casos entre funcionários.

Mais voluntários no tratamento com anticorpos

Enquanto isso, dois estudos clínicos em estágio final sobre tratamento com anticorpos estão recrutando mais voluntários por meio da Rede de Prevenção Covid-19 do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (CoVPN). A expansão de testes dará aos estudos um número mais amplo de locais e um grupo maior de pessoas.

Os tratamentos usam anticorpos criados em laboratório para atingir uma determinada infecção ou toxina. Se funcionarem, poderão fornecer proteção contra o vírus imediatamente, em comparação com uma vacina, que pode levar algumas semanas antes de começar de criar a proteção e não ajudar quando alguém já está infectado. Mas as terapias com anticorpos normalmente funcionam apenas por alguns meses, enquanto as vacinas fornecem proteção de longo prazo.

No primeiro estudo, os voluntários recebem um placebo ou uma dose de REGN-COV-2, um tratamento com anticorpos feito pela Regeneron Pharmaceuticals, que demonstrou sucesso em testes de laboratório e em animais e mostrou-se seguro em ensaios em humanos.

O estudo testará se o coquetel de anticorpos fornece proteção contra a doença e, em caso de infecção, se o tratamento limita o número de sintomas e ajuda a manter a pessoa fora do hospital.

Os cientistas esperam inscrever 2.000 adultos assintomáticos que tiveram contato com alguém em sua casa que tenha adoecido. Os voluntários receberão o tratamento dentro de uma janela de 96 horas após entrarem em contato com a pessoa infectada e os cientistas farão checagens por sete meses para garantir que o tratamento é seguro e eficaz.

O segundo estudo testará como o tratamento com anticorpos LY-CoV555 da Eli Lilly and Company funciona com pessoas que trabalham ou vivem em casas de repouso que tiveram um caso positivo.

Esse ensaio, que no momento procura 2.400 voluntários, irá verificar se o tratamento evita infecções nesta população vulnerável e se previne os sintomas ou reduz a gravidade da doença se adquirida.

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