Uma transexual fez uma denúncia ao Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos alegando ter sido demitida da loja Bio Mundo, do Lago Sul, por transfobia. Nicole, 23 anos, trabalhou no local durante quatro meses e garante ter sofrido agressões verbais e físicas de um funcionário que a chamava de “viadinho”. Em dezembro de 2016, após ter sido chutada pelo acusado, ela enviou um e-mail a diretoria da empresa pedindo ajuda. Porém, na semana seguinte, sem explicações, recebeu a carta de demissão. Segundo o gerente da unidade, o caso não se trata de transfobia, mas sim de uma disputa entre vendedores.
A jovem atuou como vendedora na empresa entre setembro e dezembro de 2016. Durante a entrevista de emprego, Nicole contou a gerente que é uma mulher transsexual e relatou estar tomando hormônios devido à transição para o gênero feminino. “Ela me disse que não havia problema, que se algum funcionário mexesse comigo, era para avisá-la, para que uma providência fosse tomada”, conta. Na semana seguinte, Nicole começou a trabalhar no local, e já no primeiro mês começou a ser alvo de piadas ofensivas de um colega.

Segundo a denunciante, as agressões verbais se tornaram cada dia mais frequentes. “Avisei para a minha gerente o que estava acontecendo. Ela dizia que conversaria com ele, mas a situação só piorava”, narra. A agressão física ocorreu no fim de novembro, dentro da própria loja. “Um cliente estava vindo em minha direção para perguntar sobre um produto. Daí, ele (o suposto funcionário agressor) entrou na minha frente para impedir que eu o atendesse. Estava com uma cestinha de plástico na mão e empurrei nele, de leve, enquanto perguntava quando ele pararia com essa atitude. Daí, ele virou e me deu um chute muito forte, em frente a todos os clientes e funcionários, eu joguei a minha cesta nele e recebi outro chute. A partir daí, corri chorando para o banheiro”, relata.
Segundo Nicole, o atendente era bastante competitivo e já teria a segurado para que ela não atendesse clientes, afirmando que ela “já tinha vendido o suficiente”. Após o episódio da agressão, Nicole comunicou imediatamente o ocorrido a gerente, que prometeu tomar uma providência, o que, segundo ela, não ocorreu. “Fiquei bastante abalada, não poderia continuar naquela situação, então enviei um e-mail para a diretoria da empresa, contando todo o ocorrido e pedindo uma solução. Menos de uma semana depois eu e a gerente acabamos demitidas. Eles não queriam nem que cumpríssemos o aviso prévio, além de não explicarem o motivo da demissão”, conta Nicole.
Denúncia
Nicole estuda Estética e Cosmética no Centro Universitário Iesb e sonha em atuar na área. Porém, desde a demissão no fim de 2016, parou de procurar emprego. “Tenho medo que isso se repita. Fiquei muito triste e depressiva. Apaguei fotos e redes sociais porque me sentia mal em me ver”. Em junho deste ano, Nicole procurou apoio psicológico e foi aconselhada a denunciar o ocorrido. “Quando tudo aconteceu, tive medo de denunciar, por estar lidando com uma empresa grande. Mas agora entendi que se eu não fizer, outras pessoas passarão por isso também”, explica.
Fonte: Correio Braziliense