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Comunicações
Sem plano de venda da EBC, novo ministro deve contratar consultoria para enxugar estatal
Fábio Faria estuda ainda viabilizar serviço internacional para melhorar imagem do Brasil no exterior
Folha de São Paulo
25/06/2020 | 16:52

O novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, deve contratar uma consultoria de gestão que formule um plano de redução dos custos tanto com o quadro de pessoal como com o aluguel de imóveis da EBC (Empresa Brasil de Comunicação).

Em conversas reservadas, que foram relatadas à Folha por auxiliares presidenciais, o ministro avalia que dificilmente a empresa terá condições de ser privatizada no curto prazo.

A opinião dele é compartilhada pela cúpula militar, para a qual a estatal é fundamental na estratégia de comunicação do governo.

A EBC tem hoje mais de 1.800 funcionários e, no ano passado, teve uma despesa total de R$ 549 milhões, o que representou um déficit de R$ 87 milhões em relação às suas receitas próprias. Só com a folha de pagamento e encargos trabalhistas, o gasto foi de R$ 326 milhões.

A ideia discutida no governo é tentar diminuir a folha de pagamento, por meio de novos PDVs (Planos de Demissão Voluntária) e reduções de cargos comissionados, e vender parte da estrutura física.

O patrimônio em equipamentos foi avaliado no início do ano passado em cerca de R$ 70 milhões.

A pasta ainda não definiu uma meta de redução, mas a defesa no Palácio do Planalto é a de que o custo anual do conglomerado de comunicação seja reduzido para pelo menos zerar o déficit da empresa. Para isso, assessores presidenciais são favoráveis a novas fusões de emissoras.

Hoje, a empresa estatal é formada por um canal televisivo, sete emissoras de rádio, uma agência e uma radioagência de notícias.

No início do atual mandato, o governo fundiu a grade de programação da TV Brasil e da TV NBR, em um esforço de redução dos custos da companhia.

Em maio, a empresa estatal foi incluída para estudos técnicos no programa de privatizações de empresas públicas. E, neste mês, o presidente Jair Bolsonaro disse que o novo ministro colocaria a EBC para funcionar e afirmou que ela será vendida para a iniciativa privada assim que for possível.

No Palácio do Planalto, no entanto, há ceticismo sobre a privatização. A avaliação é a de que, além de o conglomerado ser uma peça importante na estratégia de comunicação, dificilmente haverá empresas privadas interessadas em adquiri-la.

Além da redução do tamanho da estatal, o ministro avalia, segundo relatos feitos à Folha, criar um serviço internacional. O objetivo, segundo assessores da pasta, é, por meio de canais oficiais, tentar suavizar a imagem negativa da atual gestão no exterior, sobretudo na Europa.

Para isso, está em avaliação ou oferecer um serviço de streaming ou viabilizar uma estrutura no exterior. O foco seria sobretudo em países como França e Alemanha, que, na visão do governo, têm divulgado informações negativas sobre o Brasil, como na área de proteção do meio ambiente.

Na campanha eleitoral, Bolsonaro chegou a avaliar a extinção da EBC. Após ser eleito, a ideia foi abandonada, e a equipe presidencial deu inÃcio a uma reestruturação da companhia, que levou a uma fusão da programação dos canais de televisão.

Durante o mandato, Bolsonaro fez outras mudanças na empresa, como o aumento do número de militares em postos estratégicos. O atual presidente da EBC, por exemplo, é o general do Exército Luiz Carlos Pereira Gomes.

No fim de março do ano passado, funcionários da estatal divulgaram nota interna, a dois dias do aniversário de 55 anos do golpe militar de 1964, que denunciava a censura no conteúdo jornalístico sobre a efeméride.

De acordo com o texto, expressões como “aniversário do golpe” e “ditadura militar” eram substituídas, respectivamente, por “comemoração de 31 de março de 1964” e “regime militar”.

A mudança de postura, de acordo com eles, teve início após Bolsonaro ter determinado que a data tivesse “comemorações devidas” em unidades militares.

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