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Investigação
Preso nesta sexta-feira, Pastor Everaldo loteou cargos em empresas ligadas ao Governo do RJ
Apoiador de primeira hora de Witzel na decisão de abandonar a magistratura e entrar na política, Everaldo disputava com o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Lucas Tristão o posto de "pessoa mais influente sobre o governador"
UOL
28/08/2020 | 09:07

Preso na manhã desta sexta-feira, 28, na mesma operação que afastou o governador do Wilson Witzel (PSC) do cargo por 180 dias, o Pastor Everaldo é conhecido pela forte influência nos bastidores do Palácio Guanabara. Apesar de não possuir cargo no Executivo estadual, o político é associado ao loteamento de cargos e indicações políticas em órgãos como o Detran e a Cedae.

Apoiador de primeira hora de Witzel na decisão de abandonar a magistratura e entrar na política, Everaldo disputava com o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Lucas Tristão o posto de “pessoa mais influente sobre o governador”. A guerra de vaidades entre eles fez com que Witzel distribuísse nomeações para evitar atritos.

Na Cedae, por exemplo, Everaldo teria sido responsável por indicações políticas estratégicas —entre elas, a do ex-presidente da empresa, Hélio Cabral— e teria influência direta sobre as 54 demissões de comissionados, entre engenheiros e técnicos, ao longo de 2019.

Entre os desligados, estão 39 engenheiros que faziam o controle de qualidade da água distribuída pela companhia. Em janeiro desse ano, pouco depois das mudanças técnicas, ocorreu a chamada “crise da geosmina”, quando a água fornecida aos moradores da região metropolitana chegou com cheiro e sabor alterado.

Ex-candidato à Presidência da República e ao Senado, o pastor da Assembleia de Deus sempre obteve números inexpressivos em eleições majoritárias, mas se destaca em articulações políticas —ao lançar Witzel como candidato em 2018, apostou em um outsider e na proposta de construir uma “nova política”.

Pouco mais de um ano e meio depois, seu nome é associado ao loteamento de cargos em órgãos públicos, prática antiga no governo fluminense e que já levou dez deputados à cadeia em 2018 durante a Operação Furna da Onça.

A “crise da geosmina” fez com que ele perdesse espaço na Cedae, mas ganhasse no Detran. Os cargos mantidos na autarquia fizeram com que a sua fidelidade a Witzel fosse mantida, mesmo em meio ao processo de impeachment que corre contra o governador na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Outra atitude de Witzel foi considerada “nobre” por Everaldo: cortejado por diversos partidos enquanto tinha índices de popularidade considerados satisfatórios, Witzel reafirmou a todo instante que seguiria no PSC e que pretendia se candidatar à presidência da República em 2022 pela sigla.

Não houve “fritura” do governador, nem movimentações que favorecessem uma espécie de “transição” para que Cláudio Castro assumisse o cargo. Hoje, no entanto, a dupla foi afastada da cúpula do Palácio Guanabara por decisão do STJ.

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