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Rio de Janeiro

Presidente da Rio de Paz diz que quase morreu em ataque à sede da entidade

Por causa dos tiroteios nesta manhã, mais de 3,3 mil estudantes ficaram sem aulas na região, 4 escolas e 7 unidades de educação infantil da rede municipal ficaram fechadas
Flávia Villela/ Agência Brasil
17/08/2017 | 15:55

O presidente da organização não governamental (ONG) Rio de Paz, Antonio Carlos Costa, relatou hoje (17), na página do Facebook da entidade, que a sede da entidade, que fica no Jacerezinho, zona norte da cidade, foi alvejada há dois dias e que ele e um funcionário quase perderam a vida, quando um helicóptero deu rasante a 5 metros de onde estavam, desferindo rajada de tiros de fuzil na rua da sede, situada em frente ao canal de esgoto que corta a favela.

“Nossa sede levou seis tiros nos últimos dias. Em outra rua, que dá acesso à comunidade, construímos o Aquário de Música, no qual funciona o nosso projeto de música. Em seis operações, levamos cerca de 200 tiros de fuzil e pistola, que atingiram janelas, paredes, livros, portas”, contou Costa. “Em uma das ocasiões, nossos voluntários tiveram que se jogar no chão para se proteger das balas. Tivemos, por medida de segurança, de suspender temporariamente as aulas e outras ações humanitárias que realizávamos no local”.

Presidente da Rio de Paz diz que quase morreu em ataque à sede da entidade - Agora RN

Por causa dos tiroteios nesta manhã, mais de 3,3 mil estudantes ficaram sem aulas na região. Quatro escolas e sete unidades de educação infantil da rede municipal ficaram fechadas nesta manhã, segundo a Secretaria Municipal de Educação. A circulação de trens do ramal Belford Roxo chegou a ser interrompida por causa dos confrontos, informou a concessionária Supervia, que administra a rede ferroviária de passageiros do Grande Rio.

A Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) identificou quatro suspeitos de matar o policial civil Bruno Guimarães Buhler, na última sexta-feira (11), na Favela do Jacarezinho, zona norte da cidade. O agente foi morto em troca de tiros durante ação da Polícia Civil na comunidade. Desde então, confrontos têm ocorrido todos os dias.

O ativista contou que moradores estão apavorados. “Eles nos falaram de crianças tampando os ouvidos na hora do confronto, de pais e filhos indo para debaixo da cama para se proteger e de famílias inteiras buscando refúgio dentro de banheiro”, disse Costa, ao lembrar que várias casas têm centenas de tiros em portões, paredes e janelas. “Pessoas sem poder sair para o trabalho. Gente nas vias de acesso à favela esperando o tiroteio cessar a fim de poder voltar para casa, inclusive mães com bebês no colo”.

Domingo passado, o suspeito de comandar o comércio ilegal de drogas na comunidade, Nilson Roger da Silva de Freitas, Roger do Jacarezinho, foi preso em uma casa na cidade de Luziânia, em Goiás.