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Reação
Presidenciáveis se dividem sobre declarações de comandante do Exército
Contrários à prisão, Guilherme Boulos (Psol) e Manuela D’Ávila (PCdoB) repudiaram o posicionamento do comandante. Para Boulos, a declaração expressa uma crise institucional
Estadão
04/04/2018 | 11:24

Cinco pré-candidatos à Presidência da República se manifestaram sobre as declarações do comandante do Exército, Eduardo Villas Boas, que usou o Twitter na noite desta terça-feira para dizer que a instituição compartilha “o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia.” A mensagem foi postada na véspera da votação do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF).

Favoráveis à prisão de Lula, os presidenciáveis Jair Bolsonaro (PSL) e Alvaro Dias (Podemos) endossaram o discurso de Villas Bôas. “O partido do Exército é o Brasil. Homens e mulheres, de verde, servem à Pátria. Seu Comandante é um Soldado a serviço da Democracia e da Liberdade. Assim foi no passado e sempre será. Estamos juntos General Villas Boas”, postou Bolsonaro nas redes sociais, O candidato do PSL é defensor de uma presença mais forte dos militares na política.

Alvaro Dias considerou a mensagem “oportuna” e disse que, se o STF for contra as “aspirações visíveis da sociedade brasileira contra a impunidade”, a República estará falida. “O general Vilas Boas coloca o exército brasileiro em sintonia com o desejo do nosso povo de ver nascer uma nova justiça onde todos serão iguais perante a lei.”

Contrários à prisão, Guilherme Boulos (Psol) e Manuela D’Ávila (PCdoB) repudiaram o posicionamento do comandante. Para Boulos, a declaração expressa uma crise institucional no País. “Seguimos esperando posição da presidente do Supremo, dos presidentes das Casas Legislativas e de Temer. Até aqui um silêncio covarde”, escreveu. Na noite de ontem, ele já havia se posicionado sobre o caso com um questionamento: “O comandante do Exército está chantageando o STF e fazendo ameaças veladas? É isso mesmo?”

Manuela seguiu a mesma linha de considerar antidemocrática uma interferência do Exército em assunto do Judiciário. Ao compartilhar um tuíte do companheiro de partido e governador do Maranhão, Flávio Dino, a pré-candidata disse que “é tempo de se fazer respeitar o Estado Democrático de Direito e a Constituição.” E apontou que a saída para a crise passa por “mais democracia, eleições diretas, respeito ao voto popular e às liberdades democráticas.”

Recém-filiado ao MDB, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também deu a entender que não gostou da declaração de Villas Bôas. Ele disse que, como membro do Executivo, respeita a independência e a autonomia do Judiciário. “Eu espero que nos próximos dias o país vire uma página importante e caminhe junto para uma nova etapa da democracia”, apontou.

As declarações do general também repercutiram entre outros militares, que se botaram à disposição de Villas Bôas. Do outro lado, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e o presidente da OAB, Claudio Lamachia, condenaram uma eventual interferência do Exército no processo político.

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