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Opinião
Polarização prejudica políticas públicas e imagem do país no exterior, dizem autoridades
Rodrigo Maia e Luís Eduardo Barroso debateram tema com os colunistas Ana Paula Lisboa, Guga Chacra, José Eduardo Agualusa e Lauro Jardim na live 'Política para democracia'
OGlobo
28/07/2020 | 06:02

A partir de 2013, o Brasil mergulhou em uma polarização política que rachou a sociedade. A fratura política do país tem gerado consequências tanto no âmbito nacional, como por exemplo na condução de questões como o enfrentamento à pandemia, quanto internacional, afetando a imagem do país no exterior.

O tópico, que está na ordem do dia de autoridades e analistas, foi discutido nesta segunda-feira na live “Política para democracia – A armadilha mundial da polarização” , realizada pelo GLOBO para comemorar seus 95 anos. O jornal vai promover uma série de debates on-line ao longo desta semana.

Na discussão, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, debateram seus pontos de vista durante duas horas com quatro colunistas do GLOBO: Ana Paula Lisboa, José Eduardo Agualusa, Guga Chacra e Lauro Jardim.

País dividido

Maia apontou que a polarização política no Brasil vem crescendo desde 2013,  a partir da divisão do petismo contra o antipetismo e de agendas colocadas no debate público que, segundo ele, foram para extremos.

Para Maia, Bolsonaro organizou um campo de extrema direita que, até então, estava sem voz no país.

— De alguma forma, o presidente Bolsonaro desde 2013 ou 2014 conseguiu captar essa mensagem e caminhar no outro extremo. Como ele sempre foi um político de extremos, a vida inteira, ele falava para nichos, mas menores, como as Forças Armadas e as Polícias Militares. Percebendo esse espaço, organizou a polarização dele — declarou Maia.

O ministro Luís Roberto Barroso ressaltou que como membro da Suprema Corte não pode ter um lado na dicotomia que vive o país e argumentou que polarizações sempre existirão na sociedade, exceto quando há autoritarismo. O ministro argumentou que em uma sociedade autoritária as opiniões divergentes são reprimidas. Para ele, no Brasil atual, isso não acontece.

— Eu vejo a polarização em si, ou seja, diferentes projetos de país, diferentes projetos políticos. Eu acho que faz parte da vida e sempre fará, e em certa medida a alternância de poder é algo positivo. O que me preocupa no mundo em geral e no Brasil, em particular, é o tom desrespeitoso da divergência, a incapacidade de aceitar o outro. E esta ideia de quem não pensa como eu só pode estar a serviço de uma causa sórdida e mal-intencionada. Essa polarização é pré-iluminista — observou Barroso.

O magistrado argumentou que o grande problema enfrentado neste momento é, portanto, de certa forma, agravado pelo uso das redes sociais. Na opinião de Barroso, o mundo vive três fenômenos diversos que, quando se sobrepõem, trazem “problemas extremamente graves” para a democracia: uma onda conservadora radical e intolerante — diferente do conservadorismo tradicional — uma onda populista e uma onda autoritária. Essa combinação ocorreu, segundo ele, em Hungria, Polônia, Turquia, Rússia, Geórgia, Ucrânia, Filipinas, Nicarágua e Venezuela.

Redes sociais como motor

O fenômeno do uso das redes sociais no Brasil é um elemento que, na opinião dos debatedores, acirra os ânimos políticos. O país tem uma das comunidades mais ativas no uso de redes sociais no mundo, o que fornece ferramentas tanto para o bem quanto para o mal.

Para o colunista Guga Chacra, as redes sociais vocalizaram uma extrema direita que antes era vista como marginal e não encontrava espaço na grande imprensa, ainda que também tenham dado voz para minorias que não eram representadas.

Chacra destacou a dificuldade de se controlar o uso do WhatsApp, muito predominante no Brasil.

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