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Ponto de vista
Planalto vê mais um ‘ato espetaculoso’ em decisão de Luis Roberto Barroso
Barroso levou à prisão amigos do presidente Michel Temer e interlocutores do Palácio do Planalto classificaram decisão como mais um “ato espetaculoso” por parte do ministro
Agência Estado
29/03/2018 | 15:07

Mesmo com a ressalva de que ainda é preciso aguardar mais elementos da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, que levou à prisão de amigos do presidente Michel Temer, interlocutores do Palácio do Planalto classificaram a decisão de hoje como mais um “ato espetaculoso” por parte do ministro do STF.

Foram presos o empresário e advogado José Yunes, o presidente da empresa Rodrimar, Antonio Celso Grecco, o ex-ministro de Agricultura Wagner Rossi e o coronel da PM reserva João Batista de Lima Filho, o coronel Lima.

Barroso, que no fim de fevereiro autorizou a quebra de sigilo bancário de Temer, virou uma espécie de algoz do governo a ponto de o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, já ter anunciado que pretende se licenciar do cargo para apresentar um pedido de impeachment do ministro do STF.

Um auxiliar direto do presidente ressaltou que acredita ser “uma possibilidade” de que a decisão de hoje seja uma reação ao fato de o presidente ter se declarado candidato à reeleição.

Interlocutores do presidente destacam que o inquérito que apura supostas irregularidades no Decreto dos Portos não tem “sustentação jurídica”, o que deixa ainda mais claro que haveria uma motivação politica por trás da decisão do STF e dos pedidos da Procuradoria-Geral da República.

De acordo com uma fonte do Planalto, o inquérito que envolve a Rodrimar traz investigações que datam da década de 90 e que não haveria elementos que justificassem esse tipo de decisão.

Em janeiro, quando respondeu por escrito 50 perguntas da Polícia Federal no inquérito sobre o Decreto dos Portos, o presidente Michel Temer afirmou. “Nunca solicitei que os srs. Rodrigo Rocha Loures, João Batista Lima Filho ou José Yunes recebessem recursos em meu nome em retribuição pela edição de normas contidas no Decreto dos Portos.”

Encontro. Amigo e ex-assessor especial do presidente Michel Temer, José Yunes, que foi preso na Operação de hoje, deixou o Planalto em 14 de dezembro, por conta da delação do ex-eceutivo da Odebrecht Claudio Melo Filho. Mesmo fora do governo, Temer e Yunes sempre mantiveram o contato. Na última segunda-feira, em São Paulo, os dois jantaram juntos.

Em depoimento à PGR, em 2016, Yunes afirmou que atuou como “mula involuntária” do ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) ao receber um “envelope” do operador financeiro Lúcio Funaro.

Terceira denúncia. Um interlocutor do presidente admitiu que a operação de hoje é “sem dúvida” um indicativo de que Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, possa apresentar uma terceira denúncia contra o presidente. A avaliação no Planalto, caso a terceira denúncia se concretize, é que as pretensões políticas do presidente seriam minadas, já que teria que novamente se dedicar para barrar o avanço da investigação no Congresso.

Auxiliares do presidente salientam que ainda é cedo para falar de terceira denúncia, mas já projetam mais dificuldades em derrubá-la na Câmara. Caso essa eventual denúncia se concretize, destacou um interlocutor, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que já se declarou como pré-candidato à presidência, provavelmente não teria a mesma disposição em colaborar com o governo.

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