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Afeto
Pandemia faz brasileiros mudarem de casa para ficar perto dos que amam
Em meio ao isolamento social, tornou-se comum pegar um avião e largar quase tudo para estar com a família ou fazer o caminho contrário
Redação
30/03/2020 | 08:38

Pegar um avião e largar quase tudo para estar com a família ou fazer o caminho contrário, deixar o lar para preservar os entes queridos. O necessário isolamento social para conter o novo coronavírus tem levado brasileiros a trocar de residência – e até de país – por tempo indeterminado.

A coordenadora de logística Thaís Graccini, de 30 anos, chegou a pedir demissão e entregar o quarto em que vivia na Irlanda para voltar ao Brasil depois de mais de cinco anos no exterior. Ela volta a morar com o pai, Valmir, de 59 anos, que é viúvo e não tem outros filhos.

Antes disso, Thaís se colocou em quarentena para garantir que não transmitirá a covid-19, mesmo que não tenha sintoma da doença. “Sei que muitas pessoas não estão fazendo, mas, para mim, não faz sentido vir para ficar com o meu pai e colocá-lo em risco. Vim de máscara, óculos, tudo. É melhor pecar pelo excesso”.

Ela se isolou em um apartamento alugado por duas semanas antes de voltar a viver na casa em que cresceu, até hoje em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. A ideia é permanecer por quatro meses, mas a definição depende da pandemia.

“Acho que logo mais vai ter quarentena geral. E não quero o meu pai sozinho em uma situação dessas”, explica ela . Thaís tomou a decisão há pouco mais de uma semana. “Minha empresa não estava fazendo quarentena, mas eu via a situação na Itália. Dava pânico “

Já a estudante de Engenharia da USP Isadora Pioli, de 18 anos, retornou para Linhares, no Espírito Santo, no dia 18. A pedido da mãe, Geanna, de 44 anos. O irmão, Bernardo, de 21 anos, fez o mesmo, regressando da faculdade em Vitória. Ambos devem permanecer por lá enquanto as aulas presenciais estão suspensas. “Ela estava com medo da situação piorar e eu estar longe da família.”

No primeiro semestre da graduação, Isadora retornou ao convívio que tinha até o ano passado. “Meus pais estão super felizes com todo mundo em casa, mas voltou as cobranças em relação a estudos, igual era no ensino fundamental e médio.”

Oposto

O fisioterapeuta Filipe Santiago, de 31 anos, fez o caminho inverso. Remanejado para atuar no atendimento de pacientes críticos com suspeita do novo coronavírus em um hospital de São Luís, no Maranhão, saiu temporariamente da residência. “Minha esposa está grávida e minha filha é pequena, vai fazer 5 anos”, justifica. “A ideia é a proteção da minha família. Vou ter contato direto com esses pacientes. E não se sabe ainda com certeza o efeito que tem no feto, se tem reflexos na fase de formação.”

Desde domingo, o fisioterapeuta está no apartamento do pai, em que apenas sua irmã, estudante de Medicina, reside. “Minha filha está com a mãe (ex-mulher). Faço chamada de vídeo e falo com ela, explico que o papai está trabalhando, que a situação é temporária e, em breve, vou ver e abraçar ela.”

As videochamadas praticamente diárias se repetem com a esposa, Márcia, de 35 anos. “Ela também é da área de saúde, é médica, então está consciente de tudo o que acontece.”

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