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Impacto
Operação contra amigos de Temer é indicativo de terceira denúncia, avaliam aliados
Auxiliares do presidente admitem que os desdobramentos do caso podem levar a uma terceira denúncia contra o emedebista e inviabilizar o projeto de reeleição de Temer
Estadão
29/03/2018 | 12:29

Ainda sob o impacto da operação que prendeu amigos do presidente Michel Temer, no âmbito do inquérito que apura irregularidades no Decreto dos Portos, auxiliares do presidente admitem que os desdobramentos do caso podem levar a uma terceira denúncia contra o emedebista e inviabilizar o projeto de reeleição de Temer, que estava sendo consolidado nos últimos dias.

Para interlocutores ouvidos pelo jornal Estadão, a operação de hoje é, “sem dúvida”, um indicativo de que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, possa apresentar uma terceira denúncia contra Temer. Raquel vem avançando nas investigações e chegou a pedir a quebra dos sigilos fiscais do presidente. A avaliação do Planalto, caso a terceira denúncia se concretize, é que as pretensões políticas do presidente seriam minadas, já que ele teria que novamente se dedicar a barrar o avanço da investigação no Congresso.

Na semana passada, a Coluna do Estadão afirmou que interlocutores do presidente já trabalhavam com a informação de que ele será denunciado pela terceira vez e começavam, inclusive, a preparar o campo político para tentar impedir que a Câmara autorize abertura de processo contra ele no Supremo. Segundo a Coluna, na noite de terça, 20, as conversas sobre o assunto se intensificaram entre advogados e políticos.

Apesar disso, um ministro próximo do presidente afirmou que a operação de hoje “surpreendeu totalmente” o presidente e seus auxiliares. Mesmo sob o impacto da notícia, no entanto, o presidente decidiu manter a agenda em Vitória e embarcou há pouco na companhia de alguns ministros, entre eles, Eliseu Padilha (Casa Civil).

Amigo e ex-assessor especial do presidente Michel Temer, José Yunes, que foi preso na operação de hoje, disse em depoimento à PGR, em 2016, que atuou como “mula involuntária” de Padilha ao receber um “envelope” do operador financeiro Lúcio Funaro. Yunes deu as declarações para apresentar sua versão sobre as afirmações do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho, que, em delação premiada, afirmou ter recebido o endereço de seu escritório como indicação para a entrega de R$ 1 milhão. O valor seria, segundo Melo, parte da propina de R$ 10 milhões a ser repassada da construtora para o PMDB durante a campanha de 2014.

Defesa

Tido como uma espécie de ministro porta-voz do governo, Carlos Marun, da Secretaria de Governo, reiterou nesta quinta-feira acreditar na inocência do presidente e não comentou sobre a possibilidade de uma terceira denúncia. “Em relação ao presidente eu repito: é a investigação de um “assassinato sem cadáver”, já que o Decreto não beneficia a Rodrimar”, afirmou.

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