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Declaração
Números sobre a pandemia serão ‘positivos’ no final, diz Pazuello, apesar de 115 mil mortos
Por ordem do presidente Jair Bolsonaro, o ministério recomenda tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina como principais fármacos, apesar de não haver comprovação científica sobre segurança e eficácia
Estadão
24/08/2020 | 13:57

Apesar de o Brasil já registrar cerca de 115 mil mortos pela covid-19, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse nesta segunda-feira, 24, que, no fim da crise, os números do País sobre a pandemia serão “muito positivos”.

Durante evento de inauguração de unidade de apoio ao diagnóstico da Covid-19, em unidade da Fiocruz no Ceará, Pazuello afirmou que o trabalho do SUS será reconhecido como “a grande resposta à pandemia no mundo”.

“Não estou falando apenas de números, que serão muito positivos no final, quando colocarmos cálculos com relação à população brasileira e, infelizmente, às perdas. Estou falando do que fizemos para o combate à pandemia. O que nos entregamos, chegamos na ponta da linha”, disse o ministro interino.

Pazuello repetiu que a nova orientação do ministério é procurar imediatamente o médico, em caso de suspeita da covid-19. Se a doença for confirmada, a medicação deve ser receitada o quanto antes, declarou.

Por ordem do presidente Jair Bolsonaro, o ministério recomenda tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina como principais fármacos, apesar de não haver comprovação científica sobre segurança e eficácia das drogas contra a covid-19.

“Se tivéssemos feito isso (tratamento precoce) desde o início, teríamos tido menos mortes no País. Estou falando isso alinhado com todos os conselhos (de Estados e municípios)”, disse Pazuello. Sem apresentar evidências, o ministro ainda afirmou que o risco de morrer cai “drasticamente” se a medicação for aplicada logo nos primeiros sintomas.

Diagnóstico

A ideia do governo é que a unidade de apoio ao diagnóstico da Fiocruz no Ceará libere até 10 mil resultados diários de testes do tipo RT-PCR (molecular), padrão ouro para diagnóstico da doença.

A rede pública fez 2,18 milhões de exames deste tipo durante a pandemia. O número é menos de 10% da meta do governo federal, de 22,4 milhões.

Foram 15,5 mil exames por dia em julho, em média. A promessa do governo é chegar a 115 mil em até 2 meses. Como o Estadão revelou, mais de 9,8 milhões de de testes moleculares estavam encalhados no ministério no fim de julho.

Pazuello voltou a minimizar a falta de testes no País. Ele disse que o importante é o exame clínico, feito pelo médico, que também pode confirmar o diagnóstico. “A ampliação da capacidade de testagem não está atrasada. Há mais de 60 dias que o diagnóstico é clínico”, disse ele.

O general afirmou que o uso dos testes é importante para dar “condições de decisões” a gestores públicos. Especialistas, no entanto, afirmam que a testagem em larga escala é essencial para, por exemplo, isolar contatos de pessoas que foram infectadas e podem sequer apresentar sintomas.

Vacina

O ministro interino disse que o governo acompanha e “torce” para que tratativas de governos estaduais com produtoras de vacina tenham sucesso.

O governo de São Paulo fechou acordo para produção e testes entre o Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac. Além disso, a Tecpar, do governo Paraná, negocia a produção da Sputnik V, vacina desenvolvida pela Rússia.

A aposta do Brasil é no modelo desenvolvido pela Universidade de Oxford e a farmacêutica britânica AstraZeneca. A ideia é que a Fiocruz receba, processe e distribua ao menos 100 milhões de doses da droga. O presidente Bolsonaro tem criticado a parceria de São Paulo com farmacêutica chinesa.

“Vacina ainda hoje a nossa melhor opção, e por isso estamos nela”, disse Pazuello. “Existem outras iniciativas. Butatan tem iniciativa forte. Tecpar tem iniciativa sendo discutidas. Outros Estados também procuram. Têm sua autonomia. Estamos acompanhando. Torcemos para que dê certo todas as iniciativas. Vão somar e dar capacidade de imunização”, afirmou o general.

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