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Investigação
MPF rejeita arquivar inquérito sobre desvio de munição usada para matar Marielle
PF solicitou no dia 29 de junho o arquivamento da investigação por não chegar a uma conclusão sobre como as munições foram parar nas mãos de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz
CNN
22/07/2020 | 06:28

O Ministério Público Federal do Rio (MPF-RJ) rejeitou o pedido de arquivamento do inquérito da Polícia Federal que apurava como munições vendidas exclusivamente para o órgão foram parar nas mãos dos matadores da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista dela, Anderson Gomes. O crime aconteceu no Centro do Rio de Janeiro em março de 2018.

As munições 9 milímetros do lote UZZ18 da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), originalmente encaminhadas para a Polícia Federal em Brasília, em 2006, foram distribuídas para as superintendências do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. 

Pouco mais de dois anos depois do crime, a PF solicitou, no dia 29 de junho, o arquivamento da investigação por não chegar a uma conclusão sobre como as munições foram parar nas mãos de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, réus pelo crime.

O MPF não acompanhou o pedido de arquivamento feito pela PF e, através do procurador Eduardo Benones, coordenador do Controle Externo da Atividade Policial no Rio, solicitou novas diligências para aprofundar a investigação. O inquérito da PF sobre o desvio de munições foi instaurado dois dias depois das mortes de Marielle e Anderson.

“Não autorizei o arquivamento e determinei algumas diligências por não estar convencido de que as investigações foram esgotadas”, ressaltou Benones. 

O procurador pediu que sejam realizadas novas perícias nos projéteis para saber se faziam parte da carga original do fabricante. O objetivo é tentar traçar o caminho dessas munições e tentar entender como foram parar nas mãos dos matadores.

Fontes que atuaram no caso avaliam que o tema é complexo, em virtude dos constantes desvios de munição que ocorrem no Brasil, e da dificuldade de manter controle sobre os lotes. 

Em meio às investigações sobre este caso, por exemplo, a PF descobriu que munições do mesmo lote foram usadas numa chacina com 17 mortos e sete feridos em São Paulo, em 2015. Além disso, meses depois do assassinato de Marielle, a PF também levantou que parte dos projéteis apareceu em um assalto em uma agência dos Correios na Paraíba, em 2017.

Em 2018, o então ministro da Justiça e Segurança Pública Raul Jungmann chegou a declarar que a PF tinha 50 investigações por todo o Brasil para apurar como houve o desvio deste lote de munições.

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