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Opinião
Meirelles diz que Lula lidera pesquisa porque pessoas têm boas lembranças de seu governo
Na avaliação de Meirelles, o que o PT defende agora é diferente do que fez. Mais importante ainda, continuou, é que o governo de sua sucessora, Dilma Rousseff, foi muito diferente
Estadão
23/01/2018 | 18:41

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta terça-feira, 23, em entrevista à TV americana CNBC que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as pesquisas de intenção de voto das eleições de outubro porque as pessoas “têm boas lembranças do seu governo”.

“A inflação estava sob controle e houve criação de empregos, especialmente nos primeiros anos do governo. Eu sei muito bem porque estava no Banco Central”, ressaltou Meirelles, que está em Davos, na Suíça, participando do Fórum Econômico Mundial.

O ministro, que foi presidente do Banco Central durante todo o governo do petista, salientou que até 2002 tinha propostas mais radicais. “Ele fez a carta aos brasileiros e não foi levado muito a sério. Quando assumiu, me convidou e fez uma administração fiscal conservadora, foi surpresa positiva para o mercado”, lembrou.

Na avaliação de Meirelles, o que o PT defende agora é diferente do que fez. Mais importante ainda, continuou, é que o governo de sua sucessora, Dilma Rousseff, foi muito diferente, principalmente em relação à mudança de orientação fiscal. “Foi completamente em outra linha.”

Meirelles avaliou que a população tem um “sentimento misto” em relação ao governo petista, porque a ex-presidente Dilma Rousseff “levou o País à maior e mais longa recessão da história”.

Meirelles voltou a avaliar, no entanto, que a participação de Lula como candidato na corrida presidencial deste ano poderia ser um bom momento para um julgamento pela população brasileira. Para ele, é preciso separar a decisão política da judicial. “Isolando a (questão) judicial, a candidatura é positiva. Dá aos eleitores a oportunidade de julgar”, considerou.

Na véspera do julgamento do ex-presidente, o ministro evitou dar um palpite sobre o desfecho da vida política do petista, mas disse se tratar de um “momento crítico para Lula.

Candidatura. Meirelles afirmou à rede de TV que o plano dele é “ficar totalmente focado na economia até decidir sobre concorrer ou não” à Presidência da República, ressaltando que a decisão pode ser tomada até final de março ou começo de abril, por causa do prazo para desincompatibilização do cargo.

O ministro avaliou ainda que “há vários fatores que pesam em decisão sobre candidatura à Presidência”. “Entre fatores que pesam, um é a questão das composições dos partidos. Outro fator que é importante é ter uma boa coalizão, uma vez que há muitos partidos no Brasil e muitos congressistas em cada um deles. Há também a questão do bem estar econômico da população. E por fim, há uma decisão pessoal final”, destacou.

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