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Discurso
Lula diz ter a consciência tranquila e que só vai parar de lutar quando morrer
Petista afirmou também que a perseguição a qual julga sofrer 'não é nada perto do que acontece com os milhões de desempregados' no País e passou a criticar as reformas
Estadão
24/01/2018 | 11:41

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 24, ter a consciência tranquila por não ter cometido nenhum crime e que espera um placar de 3 a 0 pela sua absolvição. “A única coisa que pode acontecer é eles (os desembargadores) dizerem que o Moro errou. Se vai acontecer, eu não sei”, brincou o líder petista, em rápido discurso no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde iniciou sua vida política e local que escolheu para acompanhar o julgamento de sua ação no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), contra a sentença do juiz Sérgio Moro, que o condenou a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do triplex do Guarujá (SP).

Em sua fala, que teve tom de campanha, o ex-presidente afirmou também que a perseguição a qual julga sofrer “não é nada perto do que acontece com os milhões de desempregados” no País e passou a criticar as reformas do governo Michel Temer, como a trabalhista e a previdenciária.

“Eles estão fazendo uma reforma não para mexer no salário do juiz, do delegado, mas para diminuir o salário do trabalhador”, acusou, acrescentando que o tema – uma conquista da Constituição de 1988, salientou -, volta sempre à baila nos períodos de crise fiscal brasileira.

Lula argumentou ainda que a Previdência urbana foi sempre superavitária nos governos petistas por uma combinação entre crescimento do mercado de trabalho e de ajustes acima da inflação para o salário mínimo.

Acompanhado de uma comitiva que trazia, entre outros, os governadores petistas Fernando Pimentel (MG), Wellington Dias (PI) e Tião Viana (AC), o ex-presidente foi ovacionado em sua chegada ao auditório do sindicato, onde os simpatizantes acompanham a transmissão do julgamento.

Lula lembrou de sua origem sindicalista, afirmando que o local ajudou a construir a história do Brasil. Com um retórica antielite, ele passou então a atacar os detratores de seu governo. “As conquistas do povo nos últimos anos incomodaram a elite brasileira”, disse, emendando que o governo atual pretende acabar com a capacidade do Estado brasileiro de fazer política pública. “Estão vendendo nosso corpo, rifando a Petrobrás, o BNDES e a Caixa. Querem acabar com os bancos públicos”, acusou.

Antes de se retirar, Lula disse que seus detratores têm a consciência mais pesada que a dele e que “a única certeza que tem” é que “só vai parar de lutar quando morrer”. “Eles que se preparem, porque um dia a gente vai voltar e transformar esse País num lugar de orgulho e autoestima”, disse.

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