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Problemas
Informações inconsistentes em banco de dados do Ministério da Saúde dificultam ações contra a Covid-19
Especialistas alertam para consequências da defasagem no combate ao vírus
OGlobo
22/07/2020 | 05:49

Em 26 de fevereiro, o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso de coronavírus no Brasil. Mas o banco de dados do Sistema de Vigilância Epidemiológica (Sivep) da pasta registrava até a última sexta-feira dois outros casos anteriores no país: um bebê de 9 meses, em São Paulo, e outra criança, de um ano, em Itabuna, na Bahia.

A descoberta desses dois casos na planilha levou o ministério a voltar aos dados e esclarecer que os dois registros anteriores estavam incorretos — o primeiro caso confirmado, portanto, permanecia sendo o de um paciente de 61 anos, na capital paulista.

Ontem, o país alcançou 81.597 óbitos, com 1.346 mortes registradas em 24 horas. No número de casos, foram totalizados 2.166.532 — 44.887 deles notificados no último dia. Os dados são do consórcio de imprensa que reúne O GLOBO, Extra, G1, Folha de São Paulo, O Estado de S. Paulo e Uol.

O erro na planilha da pasta que incluiu nomes antes da pandemia é apenas uma das inconsistências do banco de dados oficial onde estados e municípios abastecem o ministério com informações detalhadas sobre cada caso de Covid-19 no país. As inconsistências retratam um cenário que tem alarmado especialistas no país: o gargalo entre a velocidade da doença e a lentidão com que informações chegam às autoridades.

Notificação em papel

Para divulgar os dados diários do avanço da doença, o Ministério da Saúde soma os dados compilados pelos estados. A planilha do Sivep, entretanto, é abastecida diretamente pelas unidades de saúde ou por secretarias municipais e apresenta dados mais detalhados. Nesse banco de dados mais robusto, é possível avaliar a incidência da Covid de acordo com doenças crônicas, viagens dos pacientes, datas dos exames, data do óbito, entrada e saída da UTI, entre outros dados. É esse banco de dados que pesquisadores utilizam para fazer pesquisas e compreender a curva e o estágio da doença no país.

— Sem dados claros, transparentes e atualizados, as ações tomadas vão refletir o que se vê nos dados: se eles estão defasados, a ação vai ser defasada — afirma Rafael Lopes, integrante do Observatório Covid-19 e doutorando em física no Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Para Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), poucos países possuem um banco de dados que reúnem informações com a capilaridade do Sivep. Entretanto, ainda há gargalos importantes de logística e de preenchimento que complicam uma análise atualizada dos dados.

— A ficha de notificação de cada caso de Síndrome Respiratória Aguda Grave é em papel. Só aí já existe um drama. No Amazonas, inclusive, tem uma unidade de saúde em que o envio dessas fichas para a secretaria é de barco, é a única maneira de fazê-lo.

Segundo o Ministério da Saúde, o caso de um bebê de nove meses notificado como Covid-19 em 20 de fevereiro, em São Paulo (SP), ou seja, período anterior ao primeiro caso oficial da doença no país, não se confirmou. Era, na verdade, um caso de rinovírus, um tipo de resfriado. Já o da criança em Itabuna (BA), com registro de Covid-19 no dia 24 de fevereiro, também antes do dado oficial da pasta, era um caso de erro de digitação no sistema.

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