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Opinião
Governos que não são fortes apelam aos militares, afirma FHC
Ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, partilhou opinião sobre a decisão do Governo, de colocar o general Joaquim Silva e Luna para comandar ministério da Defesa
Agência Estado
27/02/2018 | 13:37

Ao ser questionado sobre escolha de um general da reserva do Exército para ocupar o cargo de ministro da Defesa, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, afirmou que na América Latina há casos de governos que utilizaram os militares para se fortalecer.

“Governos, sobretudo quando não são fortes, apelam para os militares”, citando como exemplo o final do governo do ex-presidente chileno Salvador Allende. A declaração de FHC foi dada durante o primeiro evento da série ‘A Reconstrução do Brasil’ do Fórum Estadão realizado nesta terça-feira, 27, em São Paulo. “No passado, colocar um civil na Defesa era símbolo de qual poder prevalece.”

Nessa segunda-feira, 26, o governo anunciou o general Joaquim Silva e Luna para comandar o ministério da Defesa, ocupando a vaga de Raul Jungmann, deslocado para ocupar o cargo no recém-criado Ministério da Segurança Pública. Desde 1909, quando foi criada,  é a primeira vez que um militar assume a pasta da Defesa. A mudança e a criação de um novo ministério foram decisões tomadas pelo governo após a intervenção federal na segurança no Rio de Janeiro.

 

“Em várias ocasiões (no meu governo) houve pressão para fazer intervenção na segurança nos Estados. Não fiz intervenção porque elas paralisam as reformas constitucionais”, disse FHC, que defendeu uma mudança na maneira de os governos enfrentaram o problema das drogas no País.  “A questão da segurança está ligada à corrupção. Questão do tráfico de armas é tão grande quanto a da droga. Tem de enfrentar a questão da droga de maneira diferente, não apenas repressiva.”

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