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Crise
Globo rescinde contrato com Conmebol e deixa de exibir Libertadores; veja motivos
Paralisação do futebol pelo coronavírus acentuou um quadro de queda de receita da Globo com a exploração de direitos de TV
UOL
07/08/2020 | 09:56

A Globo surpreendeu com a decisão de rescindir o contrato da Libertadores que iria até 2022. Ao contrário do Carioca, o campeonato tem real valor para o pacote esportivo da emissora.

A medida no entanto, faz parte de uma readequação da estratégia da emissora à crise econômica e novas condições de mercado.

A paralisação do futebol pelo coronavírus acentuou um quadro de queda de receita da Globo com a exploração de direitos de TV, assim como ocorre com outras empresas. Houve redução do valor arrecadado com pay-per-view, com TV Fechada e o modelo de TV Aberta está sob questionamento.

Assim, tornou-se caro um contrato de US$ 65 milhões (R$ 346 milhões pelo inflado câmbio atual). Esse valor é pago por um pacote de dois jogos na quarta-feira, além das partidas a que tem direito o SporTV na terça e na quarta. Facebook e Fox Sports têm direito a outras partidas em pacotes. Veja ponto a ponto os motivos da rescisão da Globo:
Globo tentou redução

A emissora reconhece que vem fazendo uma revisão de seu portfólio de direitos esportivos, o que já se demonstrou pela rescisão do Carioca e na disputa com a Fifa pelos direitos da Copa.”Nesse contexto, e tendo em vista a suspensão daquela competição por vários meses, a empresa tentou renegociar com a Conmebol o contrato da Libertadores, válido até 2022, mas infelizmente não houve acordo. Assim, não restou alternativa à Globo a não ser rescindir o contrato”, diz nota da emissora.

A Conmebol entende que, apesar da crise da pandemia, a Libertadores está em valorização e pode ter outras ofertas. E há outro ponto: a IMG e a Perform garantiram à entidade US$ 350 mihões por ano pelos direitos da Libertadores e Sul-Americana. São essas empresas que têm de renegociar os direitos. Neste cenário, o dinheiro está garantido para a confederação até 2022. Isso dá maior força para a Conmebol para dizer não, e as empresas podem fazer novas concorrências pelos ativos.

Mercado mundial em baixa

A Globo vê um mercado de direitos esportivos em redução de valores mundiais. Portanto, entende que poderia obter uma diminuição do que pagava pela competição. Ainda mais porque o contrato da Libertadores ficou quase R$ 100 milhões mais caro para a emissora com a alta do dólar que saltou de um patamar pouco abaixo de R$ 4,00 para acima de R$ 5,00 durante a crise econômica de 2020. “Grandes players mundiais têm sido obrigados a renegociar seus acordos sobre eventos esportivos em razão da crise econômica provocada pela COVID-19, que, no Brasil, ainda é acentuada pela desvalorização cambial, que multiplica o valor dos contratos em dólar.”

A questão é que empresas globais como Facebook, que já tem uma fatia da Libertadores, Amazon e Youtube não são afetadas pelo câmbio já que têm a maior parte das duas receitas em dólar. Mais, alguns desses gigantes mundiais tiveram até aumento de receita durante a crise do coronavírus. Portanto, podem se tornar competidores se decidirem investir no campeonato sul-americano.

Apesar do rompimento do contrato, fica claro que Globo ainda se interessa pela competição e não descarta novo acordo. Para isso, entende que a Conmebol teria se adaptar à nova realidade do país. “Como principal competição de clubes das Américas, a Libertadores continua sendo importante para a Globo. No entanto, para que sua transmissão seja viável e satisfatória para todas as partes envolvidas, ela precisa se adequar à nova realidade mundial dos direitos esportivos e à situação econômica vivida pelo país”, diz a nota da emissora.

Essa oportunidade de novo acordo dependerá do interesse que os jogos devolvidos pela Globo despertar no mercado. Se a emissora usou a rescisão para baixar valores na força, sua estratégia pode não dar certo se houver propostas atrativas pelos ativos. Motivo legal O motivo alegado pela Globo para a rescisão do contrato da Libertadores foi a suspensão por período prolongado por motivo de força maior, o que está previsto no contrato. No caso do Brasileiro, seu principal produto, a emissora não buscou esse rompimento. Só fez o mesmo com a Fifa em relação à Copa do Mundo.

“Por fim, é importante esclarecer que havia no contrato cláusula específica de rescisão em caso de suspensão da competição por períodos prolongados, por motivo de força maior”, diz a nota da Globo. A decisão de romper com a Conmebol não foi consenso dentro da Globo. A rescisão deve ter impacto em como a emissora é vista como força de mercado.

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