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Inspiração
Ex-bailarina supera limites por sonho olímpico no caratê
Brenda Padilha buscará na França classificação para Tóquio
Agência Brasil
01/03/2020 | 14:06

Na arquibancada, olhos tensos, que mal piscavam. Um ginásio em completa tensão. No tatame, olhos encharcados de suor e lágrimas, em um misto de emoção e dores que vinham desde o dia anterior, agravadas pelos 14 combates que Bárbara Rodrigues e Brenda Padilha tiveram que travar para chegar até ali. Na luta que definiria a ganhadora do pré-olímpico nacional de caratê na categoria acima de 61 quilos, em São Paulo, cada atleta encarava sua própria batalha de resistência.

Bárbara, por exemplo, havia trincado a costela. E Brenda não estava melhor. “Na final da seletiva para a seleção sênior, acabei chutando o cotovelo da atleta. Meu tornozelo inchou, comecei a sentir dores muito fortes no [platô] tibial [parte da tíbia que, junto com a a fíbula, forma a estrutura óssea da perna]. Tive que fazer uma bandagem para conseguir lutar e precisei ficar toda hora aquecendo, mesmo se a luta estivesse parada, para não sentir dor nos confrontos”, lembra a carateca. “Estávamos no limite. Fomos ao extremo. Quem quisesse mais naquele momento, levava”, resume.

Se é assim, Brenda quis “um pouco” mais. A vitória a credenciou para a disputa, entre 8 e 10 de maio, do Torneio de Paris. A competição funciona como pré-olímpico mundial do caratê e classifica os três melhores de cada categoria para a estreia olímpica da modalidade, em Tóquio. De onde tirar forças em meio ao desgaste e à dificuldade para ficar de pé, para estar mais perto do sonho? Segundo Brenda, a força veio daqueles que a acompanhavam da arquibancada: os companheiros de equipe do Serviço Social da Indústria (Sesi), de Cubatão, em São Paulo.

“Quando sentia dor e levantava, sempre olhava para eles. Para o sensei[expressão japonesa de respeito a um professor ou mestre], para meus amigos. Eu sabia que não estava lutando só por mim, mas por todos que estavam lá. Eles treinam todos os dias comigo e se dedicam, vêm treinar até em dias que não estão no calendário para me ajudar”, destaca.

sensei é Ney Farias, técnico de Brenda, que, na Olimpíada de Sydney, na Austrália, em 2000, foi preparador físico de Carmem Carolina, única representante brasileira do taekwondo. É difícil a jovem falar do treinador sem ficar com a voz embargada. “Ele me passa muita confiança. Acredito muito no trabalho. Evoluí muito, não só como atleta, mas como pessoa. Ele me prepara para a vida. E não tem jeito, sempre me emociono”, diz a atleta, rindo.

O carinho do professor é recíproco. “Não existe maior gratificação do que quando se consegue projetar uma pessoa como atleta desse nível, que inspira os outros. Temos aumentado o número de crianças no programa de base, e muitas vêm inspiradas nela. A Brenda esteve aqui [no Sesi] entre 2013 e 2014, com o sensei Carlos Magno, um irmão que o caratê me deu. Eu voltei em 2017 para fazer o projeto olímpico do Sesi. E ela retornou no meio de 2018. Tem sido maravilhoso assistir à transformação que ela tem promovido nos atletas.”

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