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Educação
Entenda quais são os desafios do novo ensino médio
Estado de São Paulo foi o primeiro a adotar o novo currículo que dá mais autonomia aos estudantes, mas também exige mais dos professores
R7
09/08/2020 | 10:08

A partir de 2021 os estudantes do primeiro ano do ensino médio de São Paulo poderão escolher quais as matérias que pretendem se aprofundar. Para especialistas, o novo currículo deve ser mais atrativos aos estudantes, mas amplia os desafios dos professores.

O novo currículo paulista é formado por 3.150 horas, distribuídas em um período de três anos. Até então, o mínimo era de 2.400 horas distribuídas nos três anos de Ensino Médio. Do total, em São Paulo, 1.800 horas são destinadas à formação básica, que segue a BNCC (Base Nacional Comum Curricular). As outras 1.350 são referentes aos itinerários formativos, que são a parte flexível do currículo, na qual os alunos podem escolher de acordo com suas preferências e objetivos.

Com essa proposta, o estudante poderá escolher até duas áreas de conhecimento da formação geral (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas) ou da formação técnica e profissional.

As mudanças valem tanto para escolas públicas como particulares. A previsão é de que novo sistema seja implementado progressivamente aos alunos do Ensino Médio, começando pela 1ª série em 2021. Em 2022, para os estudantes da 2º série, e consequentemente, para a 3ª série do Ensino Médio em 2023.

Gustavo Blanco de Mendonça, coordenador de Ensino Médio da Secretaria de Estado da Educação de SP explica que o aluno “pode escolher dois itinerários que contemplem todas as áreas do conhecimento”. 

“O novo currículo é mais atrativo, faz mais sentido para os jovens, que têm mais autonomia para aprofundar o conhecimento nas áreas que possui mais afinidade”, diz Mendonça. 

Segundo o coordenador, um grupo de trabalho específico trabalha na formação continuada de professores. “Até o fim deste mês de agosto será apresentado um plano para os professores para ficarem conhecerem melhor a metodologia e possam pensar nos itinerários”.

Henrique Braga, coordenador educacional do Sistema Anglo as mudanças curriculares “potencializam os pontos fortes dos estudantes e, de certa forma, isso já é cobrado no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e no Sisu (Sistema de Seleção Unificado), que exigem um desempenho melhor nas disciplinas relativas à area”.

“A questão é o conteúdo precisa ser mais contextualizado e os professores terão de se adaptar a uma nova mentalidade, a uma nova perspectiva”, avalia Braga.

O Colégio Bandeirantes começou a adaptação ao novo currículo há 5 anos. A instituição fez um investimento alto em design thinking, enviou professores para conhecerem a realidade escolar da Austrália, que se destaca no uso da metodologia STEAM, que integra o ensino de matemática, ciências, tecnologia e artes. 

“Não é um processo fácil, os professores precisam mudar sua forma de ensinar e ter uma percepção integrada do conteúdo, o que é um desafio para todos”, observa Mauro Aguiar, diretor do Colégio Bandeirantes. “É preciso investimento na formação do professor, não adianta ter uma lei moderna se não chegar na realidade das pessoas”.

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