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Opinião
Desmatamento na Amazônia faz ‘cada vez mais difícil’ acordo UE-Mercosul, diz embaixador alemão
Área desmatada cresceu 34,4% entre agosto de 2018 e julho de 2019, informou Inpe na última terça. Ratificação de acordo depende de aprovação por parlamentos dos países dos dois blocos
G1
11/06/2020 | 08:40

O aumento do desmatamento na Amazônia está tornando “cada vez mais difícil” a ratificação do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, disse em entrevista ao G1 o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel.

Na última terça-feira (9), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que a área desmatada na Amazônia entre agosto de 2018 e julho de 2019 foi de 10,1 mil km². Trata-se de um aumento de 34,4% em relação ao período anterior (agosto de 2017 a julho de 2018). É a maior área desmatada desde 2008, quando o Inpe apontou 12,9 mil km² desmatados.

No final deste mês, completa-se um ano do anúncio do acordo União Europeia-Mercosul, fechado depois de mais de 20 anos de negociações. O acordo prevê reduções de barreiras tarifárias e não tarifárias para importações e exportações entre os países dos dois blocos e tem potencial de proporcionar um aumento bilionário do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e dos investimentos no país.

“A posição do governo alemão é que queremos ratificar o acordo. É um acordo muito importante e necessário. Porém, o nosso governo sabe que garantir a maioria no nosso Congresso e no Parlamento Europeu é cada vez mais difícil com as informações sobre o desmatamento crescendo no Brasil”, disse Witschel.

A partir de julho, a Alemanha vai assumir a presidência rotativa do Conselho Europeu, que reúne os chefes de estado e de governo dos estados-membros da UE, e é responsável por definir as orientações gerais, as prioridades políticas e a política externa comum do bloco.

Para ter validade, o acordo Mercosul-UE tem que ser aprovado pelo parlamento de todos os países envolvidos.

“Precisamos do apoio do Brasil, e o apoio é a redução do desmatamento”, afirmou o embaixador alemão.

A aumento das queimadas e do desmatamento na Amazônia durante o primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro levou alguns países europeus a impor restrições ao andamento do acordo.

Em agosto do ano passado a França se manifestou contra o acordo. O escritório do presidente francês, Emmanuel Macron, acusou o presidente Jair Bolsonaro de ter mentido ao minimizar as preocupações com as mudanças climáticas durante um encontro do G20 no Japão.

Na semana passada, deputados holandeses aprovaram uma moção contra a ratificação do acordo por causa da preocupação com a situação da Amazônia, entre outros aspectos.

Em meio a críticas dentro e fora do país à atuação na área ambiental, o presidente Jair Bolsonaro anunciou no início deste ano a criação do Conselho da Amazônia e de uma Força Nacional Ambiental, que atuará na “proteção do meio ambiente da Amazônia”.

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