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Paralelo 23
Delator de Serra foi acusado de fraude em campanha de Fernando Pimentel (PT)
Elon Gomes foi denunciado pelo MPF por participar de esquema de falsidade ideológica eleitoral ao repassar R$ 2,6 milhões à campanha de Pimentel (PT) ao governo de Minas, em 2014.
Agência Estado
23/07/2020 | 08:20

O ex-diretor-presidente de um dos braços do grupo Qualicorp, Elon Gomes de Almeida, delatou o suposto esquema de caixa 2 na campanha do senador José Serra (PSDB-SP) com repasses de R$ 5 milhões em notas de serviços dissimulados.

As declarações do empresário serviram de base para a Operação Paralelo 23, deflagrada na terça-feira (21) contra o tucano pela Operação Lava Jato em São Paulo.

O nome de Elon, contudo, já apareceu em outras investigações. Em 2018, o então presidente da Aliança Administradora, empresa majoritariamente controlada pela Qualicorp, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por participar de esquema semelhante, mas com um ator diferente: falsidade ideológica eleitoral por repasses de R$ 2,6 milhões à campanha de Fernando Pimentel (PT) ao governo de Minas, também em 2014.

À época, Elon Gomes foi delatado por Benedito Rodrigues, o ‘Bené’, suposto operador do petista e colaborador da Acrônimo. Segundo Bené, o empresário teria feito os repasses por meio de notas fiscais fraudulentas, cobradas de empresas controladas por Elon: a Support Consultoria e a Gabe Administradora e Corretora de Seguros.

Elon confessou o crime em depoimento à Polícia Federal e teve a pena atenuada pela Procuradoria. Meses depois, o empresário procuraria o Ministério Público Eleitoral de São Paulo para delatar o esquema envolvendo os pagamentos “por fora” para a campanha de Serra.

O empresário apontou que o tucano recebeu R$ 5 milhões em 2014, ocultados por meio de simulação de diversos negócios jurídicos. Os repasses atendiam demanda de José Seripieri Filho, o Júnior da Qualicorp, que também foi citado na Acrônimo no caixa 2 a Pimentel. Segundo Elon, o fundador da Qualicorp mascarou os pagamentos para Serra por meio de contrato de licença de software e serviços gráficos jamais prestados.

Além das acusações, Elon teria apresentado aos investigadores “contundente e robusto conjunto de elementos”, conforme anotou o juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, que autorizou buscas contra Serra. A Qualicorp adquiriu a Aliança Administradora, de Elon Gomes, em 2017, dois anos após a Acrônimo.

Procurado pela reportagem, o senador José Serra lamentou o que chamou de “espetacularização” da operação da PF e negou ter recebido caixa 2. “É ilegal, abusiva e acintosa a atuação dos órgãos de investigação no presente caso”, disse a defesa do tucano em nota. A Qualicorp afirmou que adotará “as medidas necessárias para apuração completa dos fatos”. A defesa de José Seripieri Filho disse que os colaboradores não acusaram o empresário de ter feito caixa 2 e que a decisão de fazer a doação dessa forma foi “de um dos colaboradores”. A defesa de Elon Gomes não havia se manifestado até a conclusão desta edição

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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