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Crítica
Ciro diz que Tabata faz dupla militância: “Ninguém pode servir a dois senhores”
Ex-ministro reafirma que deputada e outros que votaram a favor da reforma da Previdência deixem espontaneamente o PDT; 'Por que ela não vai para o MBL?', questiona
Agência Estado
15/07/2019 | 15:54

O ex-ministro Ciro Gomes, que disputou a Presidência pelo PDT em 2018, voltou a defender que a deputada Tabata Amaral (PDT-SP) e outros parlamentares que votaram a favor da reforma da Previdência deixem espontaneamente o partido.

Em entrevistas ao Estadão/Broadcast Político e à Rádio Eldorado, Ciro afirmou que Tabata e seus colegas tiveram a oportunidade de apresentar sua posição em “inúmeras reuniões” convocadas pela sigla para tratar do tema. Mas a deputada, segundo ele, não manifestou qualquer intenção de endossar o texto do governo Jair Bolsonaro até a antevéspera da votação.

Ao justificar a sugestão, Ciro ressaltou que a decisão de deixar a sigla deveria ser tomada pelos colegas não apenas “pelo passado”, mas também “pelo que está por vir”. Ele citou a perspectiva de votação de outros projetos, como a reforma tributária e privatizações.

“Ninguém pode servir a dois senhores”, afirmou Ciro, lembrando que ele próprio trocou sucessivas vezes de partido. “Eu acho que o mais digno – não quero particularizar nela (Tabata), porque foram ela e mais sete – é fazer o que eu fiz. Me filiei e ajudei a fundar o PSDB, que tinha um programa lindo, que tinha uma série de propostas muito sérias, foi para o governo e fez o oposto. Chafurdou na corrupção, nas privatizações, na roubalheira. O que fiz? Saí.”

Ciro descreveu Tabata como uma pessoa de “enorme valor” e dona de uma “história linda”. Mas disse ver na postura da deputada uma influência de sua proximidade com movimentos de renovação política, como o RenovaBR. “Ela só tem 25 anos. E ela entrou no Brasil nesse negócio que é dupla militância. Ela pertence a alguns movimentos que são financiados pelos miliardários brasileiros e que colocaram a faca no pescoço de todo mundo”, afirmou.

Citando ainda o Movimento Brasil Livre (MBL) como exemplo dessa tendência, Ciro disse que esses grupos correspondem a “fraudes”, pois operam como partidos políticos sem precisarem abrir mão do financiamento privado. “Vai ser um sofrimento eterno a dupla militância dela e de quem mais vier com esse papo furado.”

‘Nós não queremos representar os neoliberais’, diz Ciro
Ciro confirmou que a Executiva Nacional do PDT começará a analisar o caso dos oito parlamentares na quarta-feira, 17, e que serão respeitados todos os trâmites internos, entre eles o direito de defesa. Questionado se o PDT deveria requerer os mandatos desses deputados caso eles optem por deixar a legenda, Ciro disse preferir não entrar “nessa miudice”. Segundo ele, seu posicionamento não é sequer em favor da punição desses deputados, refletindo apenas sua própria convicção.

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