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Comentário
Ciro: Bolsonaro põe ‘calor’ na política para chantagear e dissuadir instituições
Segundo vice-presidente do PDT, o presidente está em 'pânico' por conta de informações sobre ele e sua família
Redação
16/06/2020 | 17:04

O ex-ministro e ex-governador Ciro Comes (PDT) disse que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) introduz “calor” no cenário político brasileiro para criar um efeito de chantagem sobre as instituições da República e, assim, conseguir dissuadi-las de concluir o seu dever, durante entrevista à CNN nesta terça-feira (16).

Segundo Ciro, Bolsonaro está em “pânico” por conta de informações sobre ele e sua família. Ele citou os inquéritos que estão em curso no Ministério Público do Rio de Janeiro e que, segundo ele, vão mostrar envolvimento do presidente em desvio de dinheiro e com milícias, além da CPMI das fake news e os inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Nós, que temos formação, sabemos que todas essas inciativas vão alcançar o Bolsonaro através dos seus filhos imediata e instantaneamente”, afirmou Ciro, terceiro colocado na eleição presidencial de 2018.

Para o ex-governador do Ceará, as manifestações pró-governo e contra o Congresso Nacional e o STF, como o ataque ao prédio da Corte que aconteceu no sábado (13), são muito mais de “pressão e contra pressão” do que uma ameaça real. 

“Não acho que na cabeça do Bolsonaro esteja longe a ideia de uma tentativa de golpe, porque é clara para mim a intenção dele de organizar uma milícia. Mas ele sabe também, porque tem muita gente do lado dele que compreende com mais complexidade essa tentativa, que não há condição no Brasil”, afirmou. 

Centrão

Sobre a aproximação do governo federal com os partidos do Centrão, Ciro afirmou que negociar no Brasil é uma “necessidade, uma coisa boa” e que Bolsonaro agora está fazendo “certo”.

“Bolsonaro fez um estelionato eleitoral quando, não conhecendo o Brasil, desconhece o que tinha obrigação de saber. O Congresso Nacional está repartido em 32 partidos. (…) Portanto, negociar nesse país é um imperativo democrático, enquanto a gente não concertar [entrar em acordo sobre] uma democracia de mais participação”, disse.

Segundo Ciro, “quem vai para uma eleição mentir como Bolsonaro foi agora vai ter que explicar essa contradição.”

“Errado foi quando mentiu dizendo que não ia fazer, desqualificando os outros como ‘velha política’ e ele [como] a ‘nova política’. Tudo picaretagem de marketing tradizida pelos Estados Unidos e empurrada com grupos de WhatsApp e fake news”.

Ciro, porém, questiona o que e os motivos pelos quais o presidente está negociando.

“Essas são as duas perguntas que temos que fazer, e aqui começa a tragédia brasileira a se repetir. Ele não está negociando a reforma tributária, a reforma administrativa, ele não está propondo nada. A questão é se proteger e proteger os filhos e amigos. Ele basicamente esta comprando votos”, disse.

Oposição

O pedetista tem defendido a construção de uma frente ampla em defesa da democracia e dos direitos democráticos. Questionado se ele vê a possibilidade de partidos de diferentes campos se unirem, Ciro afirmou que não é preciso uma “carteirinha de fidelidade ideológica” para defender a vida diante de atitudes que considerou anticientíficas, a economia e a democracia. Essas são as três tarefas “urgentes” e que, segundo ele, pedem unidade.

Ciro também citou como tarefas ter “humildade e entendermos o que levou o nosso povo a essa virada tão espetacular, de uma posição progressista para uma posição de sustentar um governo completamente trágico”, assim como “o que fazer para colocar no lugar dessa tragédia social, econômica e de saúde pública”.

“Essas duas tarefas pedem que a gente aprofunde as diferenças porque, na minha opinião, quem produziu esse desastre no Brasil foi a mistura de crise econômica produzida pelo PT, o estelionato eleitoral produzido pelo PT e a generalizada corrupção que o PT produziu”, acrescentou.

Economia

Na avaliação de Ciro, o governo Bolsonaro não tem projeto, e sim uma “sequência de discursos vazios em linha com aquilo que parece ser uma necessidade estratégica antiga do Brasil, que é reformar a estrutura tributária que não serve para nada a não ser para fazer injustiça”.

Ele considerou a agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes, como um “manual vencido e mofado” e afirmou que hoje não há um intelectual no mundo que defenda a “baboseira neoliberal rentista” que Guedes defende.

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