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Aumento
Belo Horizonte tem explosão de casos de coronavírus ao reabrir comércio
Rede pública de atendimento na capital mineira também registrou alta expressiva na ocupação de leitos de enfermaria específicos para infectados pelo novo coronavírus
Agência Estado
17/06/2020 | 08:07

A ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) específicos para o tratamento de covid-19 mais do que dobrou na rede hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS) em Belo Horizonte desde o início da reabertura do comércio da cidade, em 25 de maio. Segundo dados da prefeitura, a utilização dos leitos reservados para pacientes com a doença passou de 40%, em 22 de maio, para 82%, conforme relatório mais recente, divulgado na noite de segunda-feira, 15, referente ao dia 14.

A elevação nos percentuais obrigou a prefeitura a implementar plano de contingenciamento para abertura de mais leitos. O número de casos da doença, assim como o percentual de ocupação em UTIs para Covid-19, superou o seu dobro no período na capital

A rede pública de atendimento na capital mineira também registrou alta expressiva na ocupação de leitos de enfermaria específicos para infectados pelo novo coronavírus, passando de 34% para 63% no período. Belo Horizonte tem 246 leitos de UTI e 688 de enfermaria reservados para covid-19. A taxa de ocupação total de UTIs e leitos de enfermaria na cidade é de 80% e 70%, respectivamente. Ao todo, são 966 vagas de terapia intensiva na capital e 4.407 leitos na enfermaria.

O aumento na ocupação de UTIs é um dos critérios utilizados pela prefeitura de Belo Horizonte para a reabertura do comércio da cidade.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma que, pelos números de ocupação de leitos, acionou os hospitais da cidade para negociar a abertura de vagas previstas no plano de contingência. Com a estratégia, segundo a prefeitura, estão previstos para os próximos 30 dias 92 novos leitos de UTI.

Reabertura

No início da reabertura do comércio, Belo Horizonte tinha 1.402 casos de covid-19 e 42 mortos. Ontem, eram 3.412 casos, alta superior a 143%, e 76 mortos. A doença avança também no interior de Minas Gerais. No último dia 11, o governo estadual foi obrigado a recuar e anunciou o fechamento de salões de beleza, livrarias e papelarias que estavam autorizadas a funcionar desde 27 de maio em cidades da Região Central do Estado.

O infectologista Dirceu Greco, professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que a reabertura da atividade econômica contribuiu de maneira expressiva para o aumento dos casos da covid-19, sobretudo em cidades de maior porte.

“Enquanto nada estava aberto, os trabalhadores, que muitas vezes vivem nas cidades próximas aos grandes centros, ficavam em casa. Ao retomar suas atividades, e com a circulação do vírus, principalmente nos meios de transporte, o número de casos subiu”, avaliou.

Minas Gerais, que registra baixos níveis de testagem, e, por isso, pode ter números bem superiores aos oficiais, tem, atualmente, 22.024 casos confirmados de covid-19. O número de mortos é de 502. “Registramos nos últimos 15, 20 dias aumento nos óbitos e casos de covid-19. Não é hora de relaxar”, afirmou o governador Romeu Zema (Novo), na tarde de ontem. Ele anunciou a compra de 500 respiradores. Zema confirmou que vai abrir 79 leitos de UTI no interior. O Estado tem 2.964 vagas de terapia intensiva.

O governador disse que não pretende, no momento, abrir o hospital de campanha com capacidade para aproximadamente 800 vagas, construído no Expominas, centro de exposições da capital. “Não é o momento ainda de iniciar. Estamos ampliando o número de leitos de unidades de terapia intensiva”, disse Zema, se referindo aos investimentos nos hospitais da rede pública. “Mas o hospital de campanha está apto a funcionar tão logo seja necessário.”

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