Em meio à maior seca já registrada no país em 91 anos, o governo decidiu, nesta terça-feira, reduzir a vazão de água de usinas hidrelétricas do Nordeste. A medida mostra o tamanho do desafio de garantir o fornecimento de energia do país e como, num cenário de chuvas historicamente baixas no Centro Sul, o Nordeste virou uma espécie de “caixa d’água” do país.
Diferentemente do que o ocorre nas hidrelétricas do Centro Sul, os reservatórios do Nordeste estão cheios neste momento. Ao reduzir a vazão das usinas da região, o objetivo do governo é poupar água lá para, quando o abastecimento elétrico se tornar ainda crítico em outras regiões, aumentar a geração no Nordeste e despachar essa energia para o resto do país.

A redução da vazão já tinha sido adotada no Sudeste e no Centro-Oeste, onde alguns reservatórios estão nos patamares mais baixos já registrados. Na média, o subsistema Sudeste/Centro-Oeste está com 22,75% de água nos reservatórios. No Nordeste, a situação é bem mais confortável: 50,44%.







Horários de pico
Em entrevista recente ao GLOBO, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, já alertava que a região seria fundamental para garantir o fornecimento de energia no Brasil
– A caixa de água do Brasil está em São Francisco. No Nordeste, que durante tanto tempo teve problema de escassez, a água hoje está lá. E isso será importante para o atendimento de ponta e no fim de ano.
Atendimento da ponta, no linguajar técnico, é ter energia suficiente para os horários de pico, concentrados no meio da tarde de dias úteis.
O governo não especificou quais hidrelétricas do Nordeste que terão a vazão reduzida, mas a medida deve atingir principalmente as da Bacia do São Francisco, como Sobradinho e Três Marias, com forte peso na capacidade de armazenamento de água da região. O nível de água em Sobradinho está hoje em 49,14% da capacidade. Em Três Marias, é de 50,42%.
Não é tarefa simples, porém, despachar mais energia do Nordeste para o Centro-Sul. Para facilitar essa manobra, o ONS flexibilizou alguns critérios de segurança na transmissão de energia. Aumentando, assim, a quantidade de energia que pode ser levada do Nordeste para o Centro-Sul.
Além de estar com as hidrelétricas mais cheias, o Nordeste ainda conta com um grande parque de geração de energia eólica.
Veja o nível dos principais reservatórios:
Sudeste / Centro – Oeste
Média de 22,77%
- Furnas: 18,13%
- Serra da Mesa: 29,42%
- Nova Ponte: 12,22%
- Emborcação: 11,91%
- Itumbiara: 11,60%
Sul
Média de 30,71%
Principais usinas
- Salto Santiago: 40,70%
- G.B.Munhoz: 19,52%
- Barra Grande 28,48%
Nordeste
Média de 50,44%
Principais usinas
- Sobradinho: 49,14%
- Três Marias: 50,42%
- Itaparica: 69,29%
Norte
A média nos reservatórios é de 72,8%, mas a região não tem tanta relevância para a segurança energética do restante do país porque não está 100% interligada à rede nacional e porque a maioria das usinas de lá opera a “fio d´água”, ou seja, com reservatório pequeno, sem grande área alagada.
Principais usinas
- Tucuruí: 89,84%
- Serra da Mesa: 29,42%