No próximo dia 17 de março, o vice-governador Fábio Dantas vai assinar sua ficha de filiação ao PSB. Agora rompido politicamente com o governador Robinson Faria (PSD), Fábio declara ser pré-candidato à sucessão estadual. Para isso, conversa com lideranças de outros partidos e busca angariar apoios para formar chapa competitiva.
Sua chegada ao PSB é cercada de expectativa. A legenda é uma das mais tradicionais do estado. Com Wilma de Faria (1945-2017), o partido chegou ao comando da Prefeitura de Natal e do Governo do Estado por duas vezes. Atualmente, a legenda tem dois deputados estaduais (Larissa Rosado e Tomba Farias) e vereadores na maioria dos municípios potiguares. Quando a então presidente deixou a sigla, em 2016, o comando foi transferido para o deputado federal Rafael Motta, que desde então tenta reconstruir e fortalecer o partido.

Nesta entrevista exclusiva ao Agora RN, Rafael Motta conta que a chegada de Fábio Dantas pode representar, em um “novo momento”, a “confirmação da história de protagonismo e realizações” que o seu partido tem no Rio Grande do Norte. Confira na íntegra:
AGORA JORNAL: Enquanto presidente do PSB no RN, como o senhor recebe a filiação de Fábio Dantas?
RAFAEL MOTTA: A vinda de Fábio Dantas para o PSB é muito positiva. O partido tem uma história de protagonismo e realizações no RN e é a confirmação disso que vamos buscar juntos. A Executiva Nacional também vê a filiação dele com entusiasmo. É o mesmo PSB, com as mesmas defesas, mas certamente o partido vai viver um novo momento.
AJ: A filiação teve o seu consentimento ou foi negociada apenas com o Diretório Nacional, em Brasília?
RM: Fomos juntos ao encontro da Executiva Nacional. O diálogo entre nós, do diretório estadual, e a presidência do PSB é muito bom. Estamos sempre em sintonia. A filiação de Fábio Dantas tem o apoio local e nacional.
AJ: O senhor apoia a candidatura de Fábio Dantas para o Governo do Estado?
RM: O PSB do RN vai apoiar sim as candidaturas do partido. Como presidente, acho importantíssimo estarmos na linha de frente da sucessão estadual. Pernambuco e Paraíba, dois vizinhos nossos, são governados pelo PSB e estão, em vários quesitos, muito na nossa frente. Falamos hoje em pré-candidatura. Agora é hora de conversar com outros partidos e, principalmente, com a sociedade.

Vice-governador Fábio Dantas – Foto: José Aldenir / Agora Imagens
AGORA JORNAL: Como o senhor avalia o governo Robinson Faria?
RAFAEL MOTTA: Acredito que o problema maior do atual Governo foi a perda de foco. A administração foi eleita porque convenceu a população de que corrigiria erros antigos e faria diferença em áreas como a Segurança Pública, mas não foi o que aconteceu. Veja que o ajuste fiscal só apareceu na agenda no último ano de gestão e mal. A boa relação com o Governo Federal, propagada por fotos, não se confirma ou, pelo menos, não é materializada para a população. Todas as ajudas de custo foram liberadas, menos para o Rio Grande do Norte.
AJ: Sua atuação parlamentar até aqui sugere uma aproximação política com a senadora Fátima Bezerra (PT). Existe diálogo para construção de uma eventual aliança para 2018?
RM: Temos trabalhado em Brasília apresentando projetos, enviando recursos e buscando benefícios para o Estado. Há pautas que defendo que também são bandeiras da senadora Fátima Bezerra, por quem tenho muito respeito. Exemplos disso: as políticas públicas de acesso ao livro e promoção da leitura. Nossa postura contra a retirada de direitos também. Temos dialogado sim, mas sobre a atividade parlamentar.
AJ: O senhor será candidato à reeleição?
RM: Essa é uma meta do PSB local e da Executiva Nacional. Felizmente temos tido um feedback bacana da população, com manifestações de aprovação ao nosso trabalho. Isso, claro, é a principal motivação para falarmos em reeleição. O PSB quer ampliar a bancada em Brasília e conta com a representação do RN.
AJ: Qual é o projeto do PSB para as próximas eleições? Há outros partidos aliados? Quais?
RM: Colaborar. Essa é a palavra-chave. Estamos estudando e vamos apresentar soluções. O PSB vai mostrar que continua com a mesma força de sempre e vai usar sua representatividade em benefício do Estado.