O potencial do Rio Grande do Norte para ampliar a exploração e o processamento de minerais críticos e terras raras reuniu empresários, pesquisadores e profissionais da mineração nesta quinta-feira 6, na Casa da Indústria, em Natal. O debate colocou em pauta a necessidade de transformar reservas minerais em produtos de maior valor agregado, com efeitos sobre investimentos, arrecadação, empregos e desenvolvimento tecnológico.
As discussões ocorreram no evento “Minerais Críticos para o Rio Grande do Norte – Inovação, sustentabilidade e oportunidades para uma nova indústria”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), por intermédio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RN).

O encontro teve o apoio do Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos do Rio Grande do Norte (Sindiminerais-RN) e do Centro de Inovação e Tecnologia Senai Ímãs de Terras Raras, vinculado ao Senai de Minas Gerais.
Minerais críticos são matérias-primas consideradas indispensáveis para setores econômicos e tecnológicos, mas sujeitas a riscos de abastecimento. Esses materiais são usados em equipamentos eletrônicos, baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos, sistemas de defesa e tecnologias associadas à transição energética. As terras raras formam um grupo específico de elementos químicos empregados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs de alto desempenho.
Na abertura, o presidente da Fiern, Roberto Serquiz, comparou a posição atual dos minerais críticos à influência exercida pelo petróleo nas décadas anteriores. Segundo ele, esses recursos passaram a integrar disputas comerciais, negociações tarifárias e decisões relacionadas à soberania dos países.
“Este é um tema que está na pauta mundial. Se há alguns anos o petróleo simbolizava o poder econômico e estratégico para as nações, hoje quem ocupa esse espaço são justamente os materiais críticos”, afirmou.
Serquiz defendeu que o Rio Grande do Norte use sua tradição na mineração para participar de novas cadeias industriais. “O Rio Grande do Norte tem uma tradição na mineração e chegou o momento de pensar nos minerais críticos. Isso porque esse tema não se resume apenas ao setor, mas envolve toda a economia, a competitividade industrial e a geopolítica”, declarou.
A atração de investimentos, de acordo com o presidente da Federação, depende da atualização da legislação estadual e dos procedimentos de licenciamento ambiental. A proposta é ampliar a previsibilidade dos projetos e reduzir a insegurança para empresas interessadas na pesquisa, exploração e transformação dos recursos.
“Queremos um licenciamento que dê segurança para investir e transformar riqueza mineral em benefício direto do cidadão, não apenas em renda e emprego, mas em dignidade. Muitas vezes perdemos espaço não por burocracia, mas por questões ideológicas”, disse Serquiz.
O presidente do Sindiminerais-RN, Mário Tavares, afirmou que a demanda internacional abre espaço para o Estado ampliar sua presença nesse mercado. “O tema é uma tendência global e merece atenção. Estamos em um Estado que tem um potencial grande para esses minerais e é importante que eles sejam explorados”, declarou.
O diretor do Senai-RN e do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello, afirmou que a mineração já ocupa uma posição relevante na indústria estadual e pode avançar por meio da diversificação. “Nós temos um potencial muito grande de crescimento dessa indústria e de diversificação, e os minerais críticos estão inseridos nesse contexto”, disse.
Mello citou o tungstênio como exemplo de uma matéria-prima que pode passar por novas etapas de processamento no Estado. O mineral é historicamente explorado na região do Seridó e tem aplicações em ligas metálicas, ferramentas de corte, componentes industriais, eletrônicos e equipamentos de defesa.
“O Rio Grande do Norte é um histórico exportador de tungstênio na sua forma bruta e nós precisamos discutir industrialização, discutir um passo seguinte. Fornecer esse tungstênio já industrializado, com valor agregado maior, gerando mais impostos para o Estado e ampliando a mão de obra envolvida nessa cadeia”, afirmou.
A proposta de verticalizar a produção envolve mais do que instalar unidades de beneficiamento. Exige pesquisa geológica, tecnologia de separação e processamento, disponibilidade de energia, formação profissional, financiamento e conexão entre mineradoras, universidades e fabricantes interessados em utilizar os materiais.
O pesquisador André Pimenta, coordenador de pesquisa, desenvolvimento e inovação do Centro de Inovação e Tecnologia Senai Ímãs de Terras Raras, apresentou as atividades conduzidas pela unidade de Minas Gerais. O centro trabalha no desenvolvimento de tecnologias e processos ligados à produção de ímãs permanentes, usados em motores elétricos, geradores e equipamentos industriais. Para Pimenta, a disponibilidade de reservas oferece ao Brasil a possibilidade de ampliar sua participação em um mercado hoje concentrado em poucos países. “O Brasil tem o potencial de ser um dos controladores desse mercado global. Estamos falando de transição energética, que, para ser efetiva, precisa da mineração e do desenvolvimento industrial em diversos setores”, afirmou.