Paulo César de Araújo Ribeiro, de 53 anos, apontado como responsável pelo atropelamento que matou Raielly Oliveira da Silva, de 24 anos, na Zona Leste de São Paulo, foi colocado em liberdade após passar por audiência de custódia. A decisão revoltou familiares da vítima, que cobram a prisão do motorista.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o homem foi preso em flagrante após atropelar e matar Raielly na Rua Japichaua, na região da Vila Jacuí, no dia 20. A pasta informou que o motorista dirigia embriagado, não possuía habilitação e fugiu do local sem prestar socorro.

De acordo com a SSP, o teste do bafômetro apontou 0,85 miligrama de álcool por litro de ar alveolar. O veículo foi apreendido e encaminhado para perícia. O caso foi registrado no 24º Distrito Policial, na Ponte Rasa, como homicídio culposo na direção de veículo automotor, fuga do local do acidente e dirigir sem habilitação.
Ainda segundo a secretaria, após a prisão em flagrante, Paulo César foi liberado por decisão judicial mediante cumprimento de medidas cautelares.
A liberdade concedida após a audiência de custódia provocou reação da família de Raielly. Durante um protesto, a mãe da jovem, Alexandra Alves da Silva, pediu justiça e afirmou que a filha era responsável pelo cuidado da criança.

“Ela deixa uma filha de 5 anos. A vida dela era trabalhar pra cuidar da filha dela”, disse.
Alexandra também falou sobre a relação da filha com familiares e amigos.
“É uma pessoa maravilhosa, amada por todo mundo. Ela gostava de todo mundo, todo mundo gostava dela. Sempre ela tava querendo ajudar um e outro.”
Em outro momento, emocionada, a mãe voltou a cobrar a prisão do motorista.
“Esse momento, pra mim, foi difícil. Tá sendo difícil. Eu só quero justiça porque ele tem que ser preso. Ele tava bêbado, embriagado.”
A tia da vítima, Gleide Selma Alves da Silva, afirmou que a filha de Raielly sofre com a ausência da mãe.
“A gente quer justiça pela vida da Raielly porque ela tem uma filha pequena que chora dia e noite pedindo a mãe dela. Queremos justiça por Raielly.”
Segundo a SSP, os policiais responsáveis pelo atendimento inicial apuraram que Raielly foi atingida pelo veículo conduzido pelo suspeito, que deixou o local após o atropelamento. A secretaria informou ainda que o motorista teria causado dois acidentes em sequência antes de atingir a jovem.
A produção da TV Globo procurou o Tribunal de Justiça de São Paulo para esclarecer os critérios utilizados para conceder a liberdade provisória ao motorista após a audiência de custódia.
Em nota, o TJ-SP informou que teve acesso apenas à decisão judicial que determinou a soltura, mas não aos fundamentos considerados pela magistrada ou pelo magistrado para conceder a liberdade.