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Encarecimento

Fazenda eleva projeção da inflação

A atualização consta no Boletim Macrofiscal divulgado nesta quarta-feira 15, pela Secretaria de Política Econômica (SPE)
Redação
16/07/2026 | 09:35

O Ministério da Fazenda revisou para cima a estimativa de inflação para 2026 e passou a projetar um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,1%, acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A atualização consta no Boletim Macrofiscal divulgado nesta quarta-feira 15, pela Secretaria de Política Econômica (SPE) e reflete a deterioração do cenário internacional, marcada pela alta dos preços do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio e pelos riscos de impacto do fenômeno El Niño sobre a produção de alimentos.

A nova projeção representa aumento de 0,6 ponto percentual em relação à estimativa anterior, de 4,5%. O percentual também supera o limite superior da meta contínua de inflação, fixada em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que estabelece teto de 4,5%.

Fazenda comemora IPCA de 4,26% e projeta menor inflação do Plano Real - Foto: Marcelo camargo / agência brasil
Guerra no Oriente Médio e fatores climáticos são os vilões da estimativa - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Segundo a equipe econômica, o cenário inflacionário foi reavaliado em razão de fatores externos que tendem a pressionar os preços nos próximos meses. O conflito no Oriente Médio elevou as cotações internacionais do petróleo e de seus derivados, aumentando o risco de repasses para combustíveis, transporte e outros segmentos da economia.

Ao mesmo tempo, a possibilidade de formação do El Niño voltou a preocupar o governo. De acordo com o boletim, o fenômeno climático pode comprometer parte da produção agrícola e pressionar os preços dos alimentos.

“Pressões altistas no segundo semestre estão associadas à maior probabilidade de ocorrência do El Niño e à persistência do choque de oferta e de preços dos fertilizantes”, afirma o documento.
Para a Fazenda, a combinação entre riscos geopolíticos e eventos climáticos amplia a incerteza sobre a trajetória dos preços e pode retardar o processo de desaceleração da inflação ao longo do próximo ano.

Apesar da revisão para o IPCA, o governo manteve inalterada a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A expectativa continua sendo de expansão de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), sustentada principalmente pelos setores de serviços e indústria.

Para 2027, a estimativa de crescimento foi reduzida de 2,6% para 2,5%. Já entre 2027 e 2030, a equipe econômica projeta expansão média anual de 2,6%.

No caso da inflação, a expectativa é de desaceleração gradual nos próximos anos. A projeção para 2027 passou de 3,5% para 3,6%, enquanto, a partir desse período, o governo mantém a previsão de convergência para a meta de 3%.

Segundo a SPE, a agropecuária deverá apresentar desempenho mais moderado após a forte expansão observada no início deste ano, impulsionada pela safra recorde de soja. Em contrapartida, indústria e serviços devem continuar exercendo papel central na sustentação da atividade econômica.